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Cinco estilos possíveis para uma moda ética menos careta

11 de May de 2011

Correndo na roça do vô.

LEIA ESTE POST NO NOVO MODA ÉTICA:

http://modaetica.com.br/?p=1839

Ontem um amigo veio em casa, para conversarmos sobre um projeto de moda. O que era pra ser um dedo de prosa com um bolo de chocolate, se tornou uma conversa de quase seis horas ininterruptas – e muito divertidas! De moda mesmo, falamos bem pouco, da proposição de novos conceitos, da linguagem da arte no vestuário. Ao som do bom e velho Pink Floyd, conversamos mais foi sobre nossos estilos de vida, “outdoor”, “open mind”, de pouco consumo, de alimentos naturais, corrida na roça, vida no campo, família, drogas naturais, experiências espiritualistas e, como diria a canção, “falava sobre o Planalto Central, também magia e meditação”… Ah, revigorante!😉

Uma coisa que comentei com ele e que, de tempos em tempos, abordo de alguma forma por aqui é:

moda ecológica, moda ética, moda sustentável, o comporamento ético em si, é uma coisa muito chata, muito quadrada.

Felicidade de criança ao abraçar uma vaca.

E a Moda, em geral, propõe, seja no estilo, na modelagem, nos elementos de configuração do produto, alguma:

ousadia, transgressão, quebra de paradigma, novo comportamento.

Eu e meu primo Gui, com chifrinhos, “mui transgressores” entre o galinheiro e o chiqueiro.

Então, a questão é:

de que maneira aquilo que chamamos de moda ética pode expressar a estética de um comportamento transgressor/cool e não politicamente correto?

Lacoste: careta na essência casual e básica, mas cool e livre na aparência esportiva e contemporânea.

Uma resposta óbvia é agregando elementos de um estilo esportivo, o sportswear – que é o que a Osklen faz tão bem. Por meio do esporte, é possível romper limites pessoais, conhecer lugares inóspitos, experimentar a sensação de liberdade – e ainda assim, estar em contato com a natureza, vestindo uma roupa que respeita o meio ambiente e o próprio homem.

Osklen: a marca transita com habilidade nos segmentos de produtos ecológicos, esportivos e de luxo.

Agora nesse instante em que acabo de conversar com um ex-namorado que é músico, além de ser dos meus melhores amigos, penso que outra resposta é por meio da música, da identidade visual que certos gêneros conferem ao estilo, como o punk e o rock. Aliás, estilistas com mais anos de estrada costumam recomendar que “quando não souber que conceito dar a uma coleção, apele para um ar rocker” (há uma série de justificativas pra embasar isso: a facilidade de se encontrar materiais relacionados ao tema, como tachas, rebites e couros; a aceitação geral dessa estética por já estar assimilada há muito tempo por diversas classes e idades; as n-possibilidades de estilo do gênero).

Paul McCartney: vegetariano sim, porém um dos grandes nomes da história do rock.

Outra possibilidade seria essa “onda espiritualista“, em que as pessoas procuram fazer o bem, ter fé no próprio eu e/ou num Eu externo (deus, a humanidade, a galáxia, a energia cósmica, os santos, os médiuns, etc.). Fazer o bem, mas como uma maneira de experimentar/passar por um outro universo (uma nova consciência interna ou externa). Essa finalidade de fazer um contato espiritual por meio das boas ações (como as da ética da sustentabilidade) poderia ser melhor apropriada pela estética na moda. Por ser uma questão facilmente polêmica, poucas marcas e pessoas ousam por esse caminho, de expressar transgressão por meio de uma atitude espiritualista “benéfica”.

Madonna: a cabala pode ser pop e sexy.

O erotismo, a sensualidade, o apelo sexual de uma roupa é uma maneira de conferir ousadia – ou apenas maturidade sexual – para alguém. É possível estar vestido com uma roupa sustentável e simultaneamente sexy. Leia-se: sensual e não vulgar. Vulgar é barriga de fora, decotão, calça super justa na iminência de engravidar de jeans uma piriguete. Sensualidade é um ombro de fora, uma transparência sutil, costas à mostra, tecidos que conferem movimento ao andar, uma lingerie que se torna visível despropositadamente, fendas revelando as pernas, e por aí vai…

Eco Boudoir: lingerie ecológica e sensual

Por fim, o conceito “transgressor” com o qual eu, particularmente, mais me identifico é o “artsy“. São as artes que nos libertam: experiências estéticas agradáveis ou perturbadoras, mas que nos tiram da zona de conforto por meio da literatura, do teatro, dança, música, cinema, artes plásticas, arquitetura. E isso até hoje eu não vi: uma roupa sustentável e de finalidade artística, em que vestir é apenas um verbo possível e não uma obrigação de uso. Com essa roupa sustentável-artística, o que importa é a pluralidade dos significados.

Parangolé de Hélio Oiticica: a arte liberta, expressando-se pelo vestuário.

 Bem, resumindo a ópera: podemos escolher um ou outro desses conceitos e desenvolver uma coleção de produtos sustentáveis. Mas, para conseguir maior transgressão – ou, para diminuir o estigma de “eco-chato” – é ideal que se trabalhe com mais de um conceito.

Se eu fosse fazer uma coleção de roupas para mim, ela teria a seguinte história: overdose de estudo da arte. Algo muito pensado, racional, com otimização dos processos e materiais, mas com uma finalidade de não-vestir, e sim de representar e expressar significados por meio de formas, cores, etc., com um excesso tal que levaria a uma “viagem” –  intelectual sim e de aspecto alucinógeno e psicodélico. E, ainda assim, seriam roupas que respeitariam os homens, as plantas, os animais, os deuses, etc., roupas éticas.

Gunta Stölzl: na Bauhaus, aplicou ideias da Arte Moderna na tecelagem, movendo os tapetes do chão para as paredes.

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