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Ética e estética da sensualidade

27 de June de 2011

Uma das imagens de um trabalho que to fazendo. A engenharia e a química me chamam nesta semana: prova, relatório, artigo, apresentação de trabalho, relação de fornecedores… O bicho tá pegando!

LEIA ESTE POST NO NOVO MODA ÉTICA:

http://modaetica.com.br/?p=2356

Bom, o dever me obriga a ficar ausente até quinta neste blog: tenho uma porção de coisas pra fazer.

Enquanto isso, vou deixar aqui uma questão para refletir, que é a da sensualidade por meio das roupas.

Body da Osklen: mangas compridas + transparência nos seios. Jogo do esconde (braços) e mostra (seios). Aqui a sensualidade flerta com o vulgar. Mas isso é só uma imagem de campanha de moda, não uma proposição de uso nas ruas.

Duas das oito funções da moda são:

  1. indecência (atração sexual): realçar os atrativos sexuais e a disponibilidade de quem as usa;
  2. ornamentação: enriquecer os atrativos físicos, afirmar a criatividade e individualidade, sinalizar uma associação ou posição dentro de um grupo ou cultura.

Eu penso que a sensualidade consiste em revelar parte do mistério. Revelando-o todo, cai na vulgaridade (julgamento de valor para o erotismo) e na conotação pornográfica (quando o mistério é escrachado).

Nesta campanha de 2009 da Osklen, o olhar é conduzido para o tórax iluminado do rapaz, seguido para o volume de pregas ou outro motivo das calças amplas, quase saia. A frente dele, refletindo no vidro, uma mulher com longo vestido está sentada numa cama, observando-o. Conceito: sensualidade natural e despretensiosa.

A Osklen trabalha muito bem a questão da sensualidade nas roupas:

  • no feminino: costas de fora, fendas, transparência. Nunca há um decotão, uma minissaia ou barriga de fora. A relação com o sexo, com a consciência de ser mulher, é madura.
  • no masculino: calças amplas, quase saias, decotes do tipo canoa (que mostra mais ombro que peito), tecidos fluidos, cujo caimento revela as formas do corpo. O homem da Osklen é um cara seguro da sua masculinidade e, que, logo, pode usar peças consideradas femininas.

    Saia masculina da Osklen. Confesso: o único fetiche que tenho é homem de saia longa. Porque denota uma super segurança na própria masculinidade, ou seja, maturidade sexual + consciência de si mesmo e do próprio corpo. Um cara de saia pode tudo, até usar DUAS regatas!

Pergunta: é ético se apropriar das roupas para demonstrar uma estética que não corresponde a uma ética pessoal?

Da forma como a pergunta está, a resposta seria não.

Mas, tratando da moda como a compreendemos hoje, a resposta seria sim. Pois a moda é um veículo que permite o teatro das aparências, em que o superficial é tomado como real.

Amanhã, vou mostrar para o pessoal da engenharia que toda ética corresponde a uma estética e vice-versa (o que é um pensamento socrático, referente a kalokagathía, uma convergência da ética e da estética). Mas, eu tenho cada vez mais pensado – e tenho lido muito para poder pensar também – que não, nem sempre:

a ética sempre corresponde a uma estética, mas nem sempre a estética corresponde a uma ética.

Às vezes, um cara de saia é só uma imagem de macheza, a qual implica no fetiche da saia como mercadoria e no entendimento do homem-objeto. Além da saia, existe um ser humano, com outras tantas características, com gostos, gestos, sonhos, vontades, interesses, estudos, viagens, cultura. Ou seja, a roupa não representa toda a essência de um homem. A não ser no caso dos que são superficiais, aí sim.

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