Skip to content

Violentango + harmonização de contrastes na moda

12 de August de 2011

O virtuoso Violentango.

LEIA ESTE POST NO NOVO MODA ÉTICA:

http://modaetica.com.br/?p=2707

Na quarta-feira passada, vi o show do Violentango na UFMG, na hora do almoço, arrepiei toda com a música e performance, comprei um álbum e, mais à noite, fui ao show dos caras novamente no Nelson Bordello com amigos queridos. Ou seja, fato inédito na vida, vi dois concertos num mesmo dia da mesma banda (nem quando namorei por quase cinco anos um músico isso se deu…).

Vejo Dark side of the moon (pra quem tá chegando de Marte, álbum icônico do rock) em todo lugar… o princípio do prisma e o processo criativo experimental e coeso.

Os caras misturam rock progressivo (eu, como fã incondicional de Pink Floyd, reconheci inclusive uma sonoridade numa das músicas) com tango (muita influência do bom tango de Piazzolla). Ou seja, a viagem intelectual + a viagem sensual. É um som absolutamente envolvente. E os caras são muito virtuosos, no sentido de educados e em sinergia para tocar – y muy hermosos y calientes.😉

No âmbito da moda, essa forma de criação, de harmonizar constrastes, é praticamente uma receita de bolo das grandes grifes que hoje estão em evidência (digo isso relembrando diversas coleções da última SPFW). Porém, mesmo sendo um direcionamento evidente para o sucesso de uma coleção em diálogo com seu tempo, nem todos tem a proeza e a excelência no feito.

Fractal art: a mesma forma repete-se, reorganizando-se de forma complexa e bela.

Ora, vamos à receita de pós-modernidade, cujos elementos característicos são essenciais para o desenvolvimento de coleções!

Em um mundo complexo, de pós-modernidade (vide autores: Baudrillard, Jameson, Lyotard, Berman e Bauman vá lá), percebemos as seguinte características:

  • multiplicidade de jogos de linguagem
  • princípios de autolegitimação
  • paradoxos, antítese
  • estetização
  • espetacularização
  • afastamento da realidade
  • disfarce das contradições (vide Jameson)
Vovô Antoine-Laurent de Lavoisier já dizia: “Na natureza nda se cria, nada se perde, tudo se transforma”.

 

  • patafísica, antiforma (disjuntiva/aberta), espontaneidade, acaso, anarquia
  • exaustão/silêncio
  • processo/performance/happening, participação
  • descriação/desconstrução
  • dispersão, ausência
  • parataxe, metonímia, combinação, rizoma/superfície
  • contra a interpretação, desleitura, antinarratia, idioleto
  • polimorfo/andrógino (aliás, a subjetividade da sexualidade, hoje entendida como escolha psicológica e não determinação biológica, é uma das características que mais influenciarão a moda, nós veremos coleções unissex e não apenas uma e outra roupa que servem bem a ambos os gêneros)
  • ironia, indeterminação, imanência
A natureza é a resposta, sempre. Hoje, a biomimética é uma das principais ciências para a qual o design tem olhado, buscando aprender com as soluções que a natureza dá há milhões de anos. Ex.: organização em fractais, que harmonizam o orgânico como geométrico, dá ótimas estampas.

Códigos de programação de computador olhando para a natureza, que se repete e se renova. Sir Francis Bacon (1516-1626) já dizia: “A little science stranges man from God; a lot of science brings him back”.

Esse tipo de trabalho, em que o tecido (no caso desta imagem, é crochê) se retorce formando flores rococó, é bem corriqueiro (vulgar, comum) na moda. Vamos além disso! A moda, como a música, tem que nos fazer arrepiar!😉

Leave a Reply

Fill in your details below or click an icon to log in:

WordPress.com Logo

You are commenting using your WordPress.com account. Log Out / Change )

Twitter picture

You are commenting using your Twitter account. Log Out / Change )

Facebook photo

You are commenting using your Facebook account. Log Out / Change )

Google+ photo

You are commenting using your Google+ account. Log Out / Change )

Connecting to %s

%d bloggers like this: