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Velha e óbvia estratégia para as confecções do pólo de moda de Divinópolis – MG

6 de September de 2011

Divinópolis - MG

O Sebrae está, dentre outras coisas, incentivando o fast fashion (moda rápida) como estratégia para o pólo de moda de Divinópolis – MG. Leia mais aqui.

A saber, o pólo de Divinópolis consiste em:

  • 817 empresas, sendo 93% micro e pequenas;
  • faturamento anual de R$ 186 milhões (o que é declarado e consta na Secretaria da Fazenda);
  • 4906 empregos diretos (RAIS 2009), fora os n-empregos indiretos, sem carteira assinada, que envolvem as costureiras terceirizadas (facções / faccionistas).
Eee Brasil, eee Divinópolis… que a parte não represente o todo!

Mais inteligente e desafiador seria propor o slow fashion, algo consoante com o atual paradigma da sustentabilidade (tanto em termos tencológicos quanto em termos culturais), uma estratégia para o futuro, que pode parecer difícil e quimérica de ser implantada no presente, mas só para quem tem a piscina cheia de ratos e parou no presente.

[A crítica é numa boa, para contribuir com uma outra visão; sem zanga, sem levar para o lado pessoal. Vamos debater as ideias.]

Afinal, considerando que a perspectiva é aumentar o volume produtivo de forma fast (com a justificativa de atender mercado, incrementar design no APL, etc, etc), a poluição, o impacto ambiental, aumentará proporcionalmente.

Fardos de resíduos têxteis. Em Divinópolis, a perspectiva é aumentar esse volume e continuar a descartar no lixão.

Em 2008, fui apresentar um artigo acadêmico lá, sobre compósitos de osso bovino para a joalheria (meu trabalho de iniciação científica) e aproveitei para conhecer melhor o local e conversar com as pessoas. Os dados que obtive na época foram os seguintes:

  • 210 mil habitantes;
  • em torno de 22 mil pessoas fazem parte da cadeia de vestuário (empregos diretos e indiretos);
  • produz 1,5 milhões de peças de roupa por ano (o Brasil produz em torno de 30 milhões / ano);
  • são 1300 empresas de confecção, de acordo com o Sinvesd
  • segundo a Ascadi (Associação dos Catadores de Papel, Papelão e Materiais Reaproveitáveis de Divinópolis), que recolhe/recebe e armazena retalhos (resíduos têxteis), somente 10% de todos os retalhos de Divinópolis são reaproveitados: o resto vai para o lixão (o que um empresário também me confirmou), ou seja, uma das piores formas de descarte de materiais;
  • as roupas de uma determinada empresa famosa de lá tem custo de produção de R$1,80 (um real e oitenta centavos) e são vendidas no target médio de R$14,99. O empresário em questão chegou a produzir 60 mil peças por mês… Façam as contas…

Tio Patinhas logo (fast) cativou sua família a se encantar pelo dinheiro.

Moral da história: a moda é muito lucrativa para alguns; mas para outros e para o meio ambiente, custa muito caro. Uns poucos desejam ir cada vez mais rápido (fast); mas o melhor, para a maioria e para a natureza, seria ir devagar (slow).

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