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Couro humano: das múmias dos pântanos europeus às estatísticas de hoje

7 de September de 2011

Homem de Tollund, uma das mais famosas múmias dos pântanos europeus. Viveu por volta do ano 200 a.C. (uns dizem 400 a.C.), media 1,60 m, tinha de 30 a 40 anos quando morreu enforcado com um laço de couro preso ao pescoço. O cadáver, mumificado, foi encontrado em 1850, em Silkeborg, na Dinamarca. Atualmente, encontra-se no Museu de Copanhague.

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A mumificação nas turfeiras aconteceu por vários motivos. De um lado, a quase ausência de oxigênio que ajuda na decomposição, baixas temperaturas, inferiores a 4° C, e a presença de ácido tânico que, por exercer uma intensa ação antibiótica, conserva as camadas externas do corpo, transformando a pele do defunto humano em couro. Além disso, a decomposição da turfa produz alcatrão e asfalto, similares ao betume ou mumyia que os egípcios utilizavam há dois mil anos nos embalsamentos. O resultado final é assombroso e extraordinário, já que é possível reconhecer após muitos anos todos os traços faciais e detalhes da pele. (SENTINELLA, 2008, p. 46).

Um dos principais argumentos a favor do couro animal na indústria da moda é que, como os animais já são abatidos para alimentação humana, convém aproveitar sua pele. Isso quando a lógica não é matar por causa da pele, e não também pela carne.

Bolsa Gucci, custa 13 mil euros. A alça é de bambu; o couro é de crocodilo. Não conheço ninguém que coma crocodilo… Eu mesma, no passado, já comi muita carne diferente (javali, rã, água-viva, polvo, etc.), mas nunca vi crocodilo em menu algum…

Nos dias de hoje, em que João, Maria, Pedro e Carolina morrem e são anunciados na mídia como “quatro mortos”, isto é, da identidade humana passa-se à estatística, diminuindo a percepção do valor da vida de um ser humano, talvez daqui pouco tempo vejamos couro humano sendo comercializado.

“Ei, senhor fornecedor, essa epiderme está muito branquela. Eu gostaria de uma mais exótica, africana. Ah, não tem mais de escravos, que pena… Então pode ser de uns mendigos encardidos mesmo. Sim, pra fazer cinto, bolsa e sapato.”

Em geral, não se come carne humana (em algumas culturas e quando há acidentes e fome, sim), mas em uma sociedade cada vez mais violenta e que trata da vida de maneira tão matemática, por que não aproveitar o couro da nossa espécie?

“Srta. designer de moda, tenho essa cor, te agrada? A referência é KKK, do nome Klu Klux Klan.”

Antes de você, caro leitor, ter uma reação de aversão “credo!!!” baseando-se em conceitos culturais já estabelecidos (rituais, religiosidade, ideologias diversas, etc.), vamos pensar bem… Até que faz sentido… Ao meu ver, a sociedade é tão insensata, que não me espantará ver couro humano inserido primeiramente no mercado de luxo, produtos exclusivos para pessoas que perderam um ente querido que queria virar cinzas (“ah, vamos aproveitar pelo menos o couro das costas da vovó pra fazer uma sandália”).

Já fazem diamantes sintéticos com as cinzas humanas… Até em Curitiba-PR já tem uma funerária que faz a peça. Transformar um morto sem valor em uma pedra de grande valor custa de R$ 8 mil a R$ 28 mil, conforme a Scientific American.

Diamante humano (em inglês, chama-se memorial diamond). A técnica de transformar cinzas humanas em diamante sintético foi desenvolvida na Rússia. E tem muita demanda na Europa.

Tudo é possível, não nos espantemos com a possibilidade do couro humano, além do couro das múmias dos pântanos.

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