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Não ame a sustentabilidade!

28 de September de 2011

Eu, meus amigos João Rafael e Laura e minha irmã Mônica (obrigada por hoje!), depois de umas horas de trekking, quando éramos adolescentes. Com esses e outros amigos, aprendemos a falar “eu te amo”, e isso é muito grande e forte pra caber num peito só. Tem que dividir, tem que doar.

LEIA ESTE POST NO NOVO MODA ÉTICA:

http://modaetica.com.br/?p=3089

Esse papo todo nosso de sustentabilidade podia se resumir em uma frase apenas:

amar o próximo como a si mesmo.

Isso é uma coisa muito profunda e sobre a qual não há muito o que explicar:

ou as pessoas sentem e agem com esse sentimento

ou ficamos  a criar regras para conduzir a moral pessoal, delimitar a ética industrial, etc. 

Atitudes de sustentabilidade implicam em respeitar o mundo e as pessoas desse mundo. Mais que o respeito, que pode equivaler-se a uma estudada polidez, o amor é a maior virtude, como diria o filósofo francês Auguste Comte-Sponville. E só o amor constrói, só o amor transforma. Mas as pessoas estão tão condicionadas em suas realidades mesquinhas, desejos egoístas e tem vergonha ou medo (ou o que?) em falar de amor, mais que isso, em amar. As pessoas tem medo de amar. Porque amar é se entregar pelo outro. E como diria um dos meus poetas preferidos, o itabirano Carlos Drummond de Andrade,

amar só se aprende amando.

Quanto mais eu estudo sustentabilidade, mais penso que nós temos que aprender com o sentimento.

As coisas são muito simples; a razão é que cria monstros.

A razão cria monstros e “Deus está morto”, como diria o filósofo alemão Nietzsche, para o qual também “o amor é o estado no qual os homens tem mais probabilidade de ver as coisas como elas não são”. Um contraponto é sempre bom para a nossa lucidez.

Nelson Ascher (ex-colunista da Folha de São Paulo e mais que isso: poeta, jornalista, tradutor, intelectual) mencionou há tempos (2008) o termo igrejinha verde e fé apocalíptica na sustentabilidade (leia um pouco aqui). Isso gerou um bafafá na época, e eu concordo plenamente, sem contudo deixar de acrescentar a minha opinião.

“O sonho da razão cria monstros”, do espanhol Francisco Goya.

Há uma certa lavagem cerebral da sustentabilidade a nos doutrinar a salvar o planeta. A coisa não deve vir de fora para dentro: não há moral cristã ou moral ecológica que faça alguém amar o próximo como a si mesmo e, por conseguinte, fazer o bem à sociedade e à tudo que a tange e sustenta, isto é, resumidamente, o mundo. Shazam!

No mais, como diria minha querida irmã ateia e nerd (com quem acabei de tomar uma), parafraseando o Eclesiastes (que eu também adoro reler eventualmente),

tudo é vaidade e vento que passa.

Uma vez sabendo da fugacidade do tempo e efemeridade do ego (tão líquido nesses tempos de pós-modernidade, como diria o controverso sociológo polonês Zygmunt Bauman), amar é a única possibilidade para uma coesão da humanidade.

Resumindo a ópera: não devemos amar a sustentabilidade, que isso é aceitar uma ideologia meramente, mais uma ideologia. Amar o próximo é maior que tudo isso.

E finalizamos aqui com um dos meus poemas preferidos, do grande escritor D. H. Lawrence, que clama ao final para que o Cristo ressuscite como forma de agir.

Nãos                     

(poema traduzido de Dont’s de D. H Lawrence)

Lute, menino, sua luta de nada,

vá a luta e seja homem.

Não seja um bom menino, um bom moço,

sendo tão bom quanto você pode ser

e concordando com todas as matreiras, manhosas

verdades que os fingidos encenam

para se protegerem e à sua

ávida, glutona, gulosa

covardia de escolados grosseiros.

Não corresponda à queridinha que acaba

por custar sua macheza e te fazendo pagar.

Nem à velha mamãezona que orgulhosamente se gaba

de que você vai ser um dos que vão chegar.

Não conquiste opiniões valiosas, abalizadas

opiniões valendo obrigações do Tesouro,

de homens de todo tipo; não fique devendo nada

ao rebanho engordado para o matadouro.

Não queira ter meninos bons, bonitinhos,

os quais você terá de educar

para ganhar a vida; nem meninas gostosas, uns docinhos,

que vão achar muito difícil trepar.

Também não queira uma casinha, com os custos

que você terá que agüentar

ganhando a vida enquanto a vida se perde, e o susto

da morte um dia vem te agarrar.

Não se deixe sugar pelo sup-superior,

não engula a isca da cultura a chamar,

não beba, não vire um cervejado senhor,

 aprenda, isto sim, a discriminar.

Mantenha-se inteiro e lute atento,

empurrando daqui ou empurrando de lá,

e tendo à noite o consolador sentimento

de que um pouco de ar você fez entrar.

No chiqueiro do dinheiro esse ar renovado

você pôs pelo buraco que na prisão pôde abrir,

fazendo o pouco que podia, empenhado

em que o Cristo ressuscite como forma de agir.

One Comment leave one →
  1. nelson permalink
    29 de September de 2011 12:23 PM

    Luciana, voce sempre surpriende, não consigo ler suas postagens na velocidade que vove posta. Voce rápida eu lento, equilibrio, hahaha….
    Mas fico feliz em ler algo desse maguinitude, parabens menina nor ser, senhora no proceder.

    obrigado
    Nelson Trindade ( Donacor)

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