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Segunda-feira de moda ética + material inovador que captura CO2 + retalho que vira compósito ou energia

10 de October de 2011

LEIA ESTE POST NO NOVO MODA ÉTICA:

http://modaetica.com.br/?p=3137

Cá estamos, de volta ao blog. Estou ao mesmo tempo revendo um vídeo sobre a coleção Trópico de Capricórnio da Osklen, me arrumando pra ir visitar uma das unidades da Cedro Têxtil (uma das principais fornecedoras de têxteis do país), em Caetanópolis-MG, com a minha equipe da Química da UFMG (eu escrevi um projeto como voluntária lá, sobre desenvolvimento de compósitos a base de resíduos têxteis, e tem muita gente High Profile me dando suporte pra coisa acontecer) e preparando aula sobre conceito, inspiração e estilo pra moçada de Moda e Sustentabilidade Design de Moda da UFMG, ainda hoje à noite.

Ainda não contei as histórias de moda ética que rolaram em Vitória-ES. Segue aí uma imagem do Forest Gump, que vos conta essas histórias todas, em terras capixabas:

Colar da extinta e saudosa Zoomp emprestado da mãe, simula as gemas de turquesa e coral (eu desenvolvia um projeto de iniciação científica na Química, que buscava fazer coral com pó de osso; quase “cheguei lá”) e pulseiras de howlita, uma gema bem mais barata que a turquesa, e consoante a estética navajo, indígena americana, tão em moda ultimamente…

Estava pensando, neste final-de-semana, no “spa” do namorado em Lagoa Santa-MG, uma coisa que devo compartilhar aqui:

eu devia transformar os resíduos têxteis em energia. O único “produto” que não sai de moda, que todo complexo industrial sempre precisa, em todos os tempos, é energia. E energia devia vir dos nossos resíduos, do nosso lixo, e não das fontes naturais não-renováveis. Vou conversar isso hoje com a tchurma, prof. Geraldo e prof. Jadson. Eles tinham falado pra eu fazer um balanço energético dos resíduos, acho que talvez devamos fazer mais que isso… Fazer algo fora das minhas competências é algo que me instiga, vou ter que procurar mais gente pra equipe.

Os cientistas com quem trabalho na Química são gente gabaritadíssima, tem maior expertise em energia limpa. Em 2009, patentearam um material nanotecnológico que captura CO2 e libera O2. Na época saiu na Folha de São Paulo (lembro que a mãe tinha guardado a notícia, por ser interessante, e quando eu li, tcharans, o nome do prof. que me orientou na iniciação científica e hoje orienta esse trabalho voluntário).

Aí eu botando as mãos na massa, ops, na base (tão corrosiva quanto ácidos) no Laboratório de Química Inorgânica, na época da Iniciação Científica. Comemorei meu aniversário em 2008 lá no Lab, o pessoal é muito gente boa.

Segue aí notícia sobre o tal material sequestrador de carbono, que é “do cara***” (nesse caso, o palavrão é um elogio válido), ele absorve CO2 na cerâmica, libera O2 e o material ainda pode ser usado como insumo na indústria. Limpa e evita desperdício. Wow!

Material é capaz de impedir que CO2 produzido na indústria seja lançado na atmosfera e contribua para o aquecimento global

Pesquisadores da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) desenvolvem tecnologia para capturar o gás carbônico (CO2), o maior vilão do desequilíbrio climático em todo o mundo. A descoberta foi patenteada no Instituto Nacional de Propriedade Intelectual e deverá ser registrada internacionalmente via PCT (Patent Corporation Treaty) até fevereiro do ano que vem [2010].

A equipe de pesquisadores, liderada pelos professores do Departamento de Química Geraldo Magela de Lima e Jadson Cláudio Belchior, desenvolveu um material cerâmico capaz de capturar até 40% de gás carbônico nas indústrias, provenientes da queima de combustíveis fósseis, como os derivados de petróleo e carvão.

O material cerâmico, na forma de micropartículas, poderá ser instalado em termoelétricas, siderúrgicas, ou qualquer outra indústria, evitando que o CO2 vá para a atmosfera. Os gases provenientes da queima de combustíveis em diversos processos industriais podem passar diversas vezes pelo material cerâmico, o que significa dizer que, se as indústrias instalarem a proporção necessária, a emissão de gás carbônico pode ser nula.

Diferentemente de algumas reações em que o CO2 poderia se decompor em carbono (C) e oxigênio (O2), com essa tecnologia, depois de passar por uma reação química, as moléculas do gás carbônico passam a fazer parte da cerâmica no estado sólido, o que possibilita sua reutilização como insumo na indústria. O dióxido de carbono ainda é pouco usado na indústria, embora possa ser aplicado na produção de plástico, ureia e outros materiais usados com fertilizantes e nas indústrias de couro, celulose e papel.

O material cerâmico contém componentes químicos absorvedores do CO2 e expansores, além de materiais para dar consistência ao composto sólido, que pode ser manipulado de diferentes formas. Uma delas se dá por meio de esferas com 1cm de diâmetro. Para que o processo de captação do gás pelo material cerâmico ocorra, as temperaturas da queima devem variar de 100 a 800 graus. Porém, por se tratar de um segredo de patente, os pesquisadores não revelam qual a composição exata do material cerâmico.

A primeira fase da pesquisa será encerrada em dezembro, e a próxima prevê a melhoria na eficiência do material. A meta é conseguir a absorção de até 60% do gás carbônico em uma única reação. A pesquisa prevê ainda a criação do material em escala nanométrica. Para se ter uma ideia, a escala atual para a produção do material cerâmico é microscópica, mil vezes maior do que a escala nanométrica. “Com a mudança da escala, aumenta-se a superfície de contato e, portanto deve-se aumentar a eficiência do processo de absorção do gás carbônico”, afirma o Jadson.

Tecnologia
Manipulado na escala nanométrica, o material cerâmico permitirá a captura do gás carbônico na atmosfera. Embora os pesquisadores já tenham evidências para capturar o CO2 no ar, ainda são necessários estudos para mensurar os impactos ambientais dessa tecnologia. “A tecnologia absorve quimicamente o CO2. É um avanço, pois o material cerâmico é reciclável e o gás carbônico pode ser usado na produção de insumos. O ciclo é perfeito”, afirma Geraldo Lima.

Os pesquisadores enfatizam que não se trata exatamente de um filtro de CO2, pois ao ser incorporado à matriz sólida, o gás pode ser transformado quimicamente em insumos industriais e regenerar a cerâmica – fechando o ciclo do processo proposto. Esse é o aspecto inovador da tecnologia. A descoberta abriu a possibilidade de cooperação internacional com a Universidade da Geórgia, nos Estados Unidos, onde os pesquisadores usam o CO2 na produção do metanol. “A reciclagem é feita em um outro momento do processo“, acrescenta Lima.

A descoberta projeta o Brasil em âmbito internacional no desenvolvimento de tecnologias para capturar o gás carbônico. Conforme lembra André Rosa, diretor da Amatech – empresa cotitular da patente –, na Noruega, o gás carbônico é capturado e injetado em postos de petróleo e, nos Estados Unidos, estão sendo desenvolvidas árvores sintéticas, de cerca de 300 metros de altura, que fazem a absorção em estado líquido do gás.

“Para eliminar o gás carbônico da atmosfera, o ideal é o processo natural de fotossíntese. No entanto, as árvores levam anos para atingir a maturidade. Por isso, é urgente o uso de diferentes tecnologias para capturar o gás carbônico se quisermos que a humanidade possa continuar nessa odisseia“, diz, referindo-se aos riscos que o desequilíbrio climático representa para a vida na Terra.

A primeira fase da pesquisa recebeu um investimento de R$ 420 mil da empresa Amatech, que juntamente com a UFMG é detentora da patente. Na segunda etapa, cujo convênio será assinado na quinta-feira entram como parceiros a Secretaria de Estado de Ciência e Tecnologia (Sects) e a Fundação Estadual de Amparo à Pesquisa de Minas Gerais (Fapemig), com investimento de R$ 2,2 milhões.

Os pesquisadores estão com vagas abertas para estudantes de mestrado, doutorado e pós-doutorado, com bolsas financiadas, para quem queira participar da pesquisa. A tecnologia foi desenvolvida para a indústria, uma vez que ela é a principal emissora de CO2 na atmosfera. 

Fonte: http://www.cimm.com.br/portal/noticia/exibir_noticia/5896-ufmg-desenvolve-cermica-que-captura-gs-carbnico

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