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Os paradoxos do látex

20 de December de 2011

Látex da Casa da Resina

LEIA ESTE POST NO NOVO MODA ÉTICA:

http://modaetica.com.br/?p=3243

A indústria Casa da Resina, que fica em Belo Horizonte (e atende “gente” como Vale do Rio Doce), foi o único fornecedor contatado que logo disponibilizou gratuitamente 200 ml de amostra de látex (borracha líquida, por assim dizer) para minhas pesquisas na Química da UFMG. E sem ficar me perguntando o que eu ia fazer com isso – aquele medinho bobo da indústria em relação às pesquisas das universidades, coisa que outras empresas de maior porte demonstraram. Pelo contrário: atenderam superbem e ficaram à disposição para responder qualquer dúvida.

Látex sendo extraído da seringueira. Vamos puxar na História do Brasil que a extração da borracha já foi uma importante atividade econômica em nosso país… Antes se dava fortemente na Amazônia; hoje, basta percorrer o interior do estado de São Paulo. Reduziram o transporte; “transplantaram” a monocultura…

 O látex é amplamente usado na indútria da moda, especialmente em calçados. Por exemplo, em um tênis tipo All Star, basta olhar para a borracha que envolve o solado (chamada de “vira”), feita de látex. O solado pode ser de látex também, mas com outras composições na fórmula e, em geral, nós chamamos o material de “TR”, abreviação de termo rígido, uma das possibilidades dos polímeros. Há muito o que falar sobre as borrachas da moda, se são do tipo fachete ou não, o tipo de pigmentação/coloração, etc.

O látex popularizado no All Star.

Eu aprecio muito o material que temos chamado de laminado vegetal – ou “encauchado”, como dizem os índios andinos – que é o tal do “couro vegetal”. Já falei muito dele em posts antigos, basta pesquisar neste blog. Trata-se de uma camada de tecido coberta de látex, tornando o tecido impermeável e dando aspecto de couro. Uma tecnologia social, dos índios, que vem sendo explorada por algumas fábricas do interior de SP, RJ e RS. Os índios lá longe nem sabem disso… E eu adquirindo látex em fábrica de MG… São muitos paradoxos.

Diretamente do Acre, caucheros mostram um belo encauchado, material feito de tecido e látex que, aqui no “resto do Brasil”, a indústria de curtume fica brigando (vide a Lei 11.211/05 ) com a indústria de polímeros laminados para que não se diga “couro vegetal”, mas “laminado vegetal”. Os caucheros nem sabem disso, e a Lei nem menciona os encauchados. É Brasil… a Lei é dos empresários.

O que faremos com látex na universidade, do ponto de vista da sustentabilidade social (a tecnologia social é dos índios!), ambiental (sintetizar na indústria e/ou aceitar a monocultura de seringueira?) e econômica (como escolher quem ganha e quem “se fode” no sistema?)????

No final de 2012, eu conto.😉

6 Comments leave one →
  1. 25 de December de 2011 10:54 PM

    Gostei do “é a lei dos empresários”.
    Grandes babacas exploradores que, com seus ternos baratos, ditam o que é ‘melhor’.

    Os índios são nosso grande patrimônio que foi destruído… pena.. nos resta o resto..

    bom blog. parabéns!

  2. 2 de January de 2012 1:31 AM

    Os Encauchados são realmente uma tecnologia social, não só dos índios, mas também dos seringueiros, ribeirinhos, quilombolas, desde que morem na Amazônia e tenham seringueiras nativas em suas áreas de floresta preservada. É uma tecnologia simples, barata, que não depende de máquinas para transformar o látex em produtos de mercado. Por isso é que as populações locais se empoderam, pois os produtos prontos são comercializados diretamente por eles, sem intermediários.
    A foto acima apresentada como encauchado contendo tecido é uma manta de látex e fibras vegetais, sem tecido, com pintura artesanal, produzida pela comunidade da Reserva Extrativista do Cazumbá-Iracema, localizada em Sena Madureira no Acre. Trata-se de uma das 48 comunidades que trabalham no projeto Encauchados de Vegetais da Amazônia, onde o Poloprobio atua no repasse dessa tecnologia, com vários parceiros, incluindo a Petrobras, o CNPq, a Universidade Federal do Acre e a Universidade Federal do Pará. Mais detalhes em http://www.poloprobio.org.br

  3. 6 de January de 2012 4:32 PM

    Além dos Encauchados, há os novos encauchados explicado pela Zélia e se produzem diferentes tipos de mantas na Amazônia, como o Tecido da Floresta em Rondônia, a FFB ( folha fumada brasileira), O “couro vegetal” da antiga TREETAP e os laminados industriais no oeste Paulista, bem como já há FFB produzida industrialmente.
    O importante é que cada um tem sua patente registrada de formulação e nome diferente e embora todas utilizem polímero natural, há mercado para todos os produtos e as características de um produto comparada a outro são extremamente diferentes.
    Um produto feito na floresta apresenta a característica artesanal diferente do industrial, é isto é obvio somente no olhar o produto.
    Acredito que o para o desenvolvimento sustentável do Brasil todos são muito importante.
    Desde que não se venda gato por lebre.
    O Látex cultivado também é importante porque substitui pastagens que agridem mais e geram menos postos de trabalho.
    O que não é justo é dar o nome “made in Amazônia” a um produto de cultivo em outra região.

  4. Flavia permalink
    7 de August de 2012 10:34 PM

    Olá. Sou produtora de latex no estado de SP e quero aprender a transformar a borracha em tecido, mas não sei nem por onde começar. Preciso de ajuda, se possível. Desde já muito obrigada.
    Abs, Flavia

    • 7 de August de 2012 11:40 PM

      Olá Flávia, eu não sei como se faz exatamente. A princípio, é passada uma camada de látex sobre um tecido de algodão. Agora, borracha ser transformada em tecido, eu nunca vi…
      Abs,

      Luciana

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