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Post polêmico: lendo as entrelinhas da rasa reportagem sobre moda sustentável no Jornal Hoje em Dia, da Globo, de 26/12/2011 e questionando a transparência da marca Jefferson Kulig

27 de December de 2011

Profundo como um pires.

LEIA ESTE POST NO NOVO MODA ÉTICA:

http://modaetica.com.br/?p=3295

A matéria em questão está disponível neste link; há nela um vídeo que deve ser visto para melhor compreensão. Em todo caso, vou postar na íntegra a matéria escrita para fazer algumas considerações no próprio corpo do texto, a fim de enriquecer a discussão sobre a ética e estética da sustentabilidade na moda.

 

O copo está metade cheio e também está metade vazio. Vamos ver!

A matéria segue na cor preta; meus comentários seguem em azul.

Estilistas usam materiais recicláveis na confecção de roupas e acessórios [O termo “materiais recicláveis” vem sendo usado constantemente, caracterizando matérias-primas como sendo ambientalmente sustentáveis. Mas, não passa de mais um termo vazio, como “design arrojado”, que nada em si diz, pois quase todos os materiais produzidos industrialmente são possíveis de serem reciclados; é da condição dos materiais serem recicláveis, por uma ou outra tecnologia. No entanto, os materiais nem sempre são reciclados – em destaque, na indústria da moda.]

Lacre da latinha vira vestido de festa e garrafa pet se transforma em tecido. [Ok, vamos ver como isso se dá mais adiante, no texto.]
Outra maneira de reduzir o lixo é reaproveitar o que se tem no armário. [Talvez seja válido explicitar que a principal forma de reduzir o lixo é evitar o consumo, repensar o consumo. Poderia a TV Globo dizer abertamente para seus telespectadores brasileiros para reduzir o consumo de produtos do setor de moda, para evitar comprar produtos de moda, para desacelerar o consumo de moda, o segundo maior setor de divisas do país (que perde apenas para a construção civil), o setor que mais emprega mão-de-obra feminina e tantos outros predicativos portentosos? Lipovetsky (um dos filósofos expoentes da moda), em “A felicidade paradoxal”, e Manzini e Vezzoli (autores referentes para a compreensão de design e sustentabilidade), em “O desenvolvimento de produtos sustentáveis” (vide descrição de cenário hiper cultural), falam – há algunS anoS – sobre essa mudança de comportamento da sociedade para pensar seus hábitos de consumo, de modo a reduzi-los, valorizando serviços em relação aos produtos de moda.]

Cheios de brilho, os vestidos de festa não levam nenhum tecido nobre. O lacre da latinha é um dos materiais que o estilista usou para fazer seus vestidos. Para a coleção inteira, ele precisou de 16 mil lacres. Sacos de fruta e lona de construção também estão na lista. O objetivo é fazer roupas ecológicas e bonitas. [O objetivo pode e deve ser fazer roupas bonitas, sempre, e ecológicas – seja no sentido que Gilberto Freyre dá ao termo, de respeitar a ecologia do Brasil, tropicalidade, etc., seja no sentido de sustentabilidade ambiental. Entretanto, as roupas mostradas pela reportagem, com tais materiais reciclados, correspondem a pelo menos três “estéticas” (aqui no sentido de configuração formal/visual do objeto), que são o “Eco Ugly” (descrito pelo portal TrendWatching em 2008), o” Panda-verde-reciclado” (Vezzoli, 2010) e o Trash Fashion (que eu assinalo e que nós podemos observar a pártir do contestatório vestido de papel de 1967 com estampa das latas de sopa Campbell, de Andy Warhol, e nos últimos anos tem merecido desfiles e prêmios para o lixo que é transformado em roupa – quando contrário é tão verdadeiro igualmente, uma bi implicância lógica), as quais não transmitem apelo comercial do produto. Em geral, produtos que apresentam um material considerado “pobre”, de baixo apelo visual, como são os lacres das latinhas, e que tem tal material “disfarçado” como nobre por posicioná-lo em uma configuração visual, isto é, em um arranjo da forma (tão “favela”, como Frederico Duarte demonstrou em seu brilhante texto citado na íntegra no post anterior a este neste blog, criticando design brasileiro) simplesmente não tem apelo comercial, não são valorizados por lojistas e consumidores. E aqui há um outro problema, que eu considero maior do que essa discussão de estética que pode cair em um achismo infundado de gosto particular: ao reciclar materiais de outros setores, a indústria da moda está validando o consumo dos mesmos. É como se a indústria da moda dissesse: “ei, podem beber refrigerante e jogar as latas fora, porque nós podemos reciclar parte delas”, ou “ei, mandem as lonas de construção pra gente que nós damos um jeito de fazer isso um outro produto”. O vestido de lacres de alumínio só está aumentando o ciclo de uso deste material – talvez isso não seja positivo, talvez o mais eficiente seria ir direto para a reciclagem de alumínio, que é o setor que mais e melhor recicla seu material, uns dizem 94%, outros 98%, o que é um percentual muito elevado. O vestido com lacres de alumínio acaba, no final das contas, dificultando a reciclagem dos lacres, porque os mistura com outros materiais (linhas, tecido, cola, etc), indo contra o Design para a Desmontagem e o Design para a Sustentabilidade. E que setor recicla os resíduos têxteis da própria indústria da moda? A Alemanha, seguida da Inglaterra, é referência em reciclagem de têxteis; o Brasil está longe. Levando a discussão para o ponto de vista da ética no design proposto por Flusser (dos filófoso mais estudados no Design e na Comunicação Social), a responsabilidade pelo lixo da moda talvez devesse ser da própria moda. Por que os estilistas insistem em caracterizar seus produtos como ecológicos valendo-se do lixo de outros setores e esquecem-se que o seu setor é um dos maiores poluentes do mundo? E grande parte dos resíduos de tecidos são incinerados! Eu posso ficar falando uma Era sobre isso, desenvolvendo esse assunto ad infinitum, mas vamos adiante…]

Estou rendendo o assunto, mas isso não significa “fazer tempestade em copo d’água”. As pessoas querem esclarecimento e há quem aprecie informações precisas. A ética da sustentabilidade não pode ser tomada de forma superficial, como mais um componente da sociedade do espetáculo.

Tem também tecido feito de garrafas de refrigerante. As garrafas pet são separadas por cor, picadas e transformadas em uma fibra que parece algodão. O fio de pet pode ser usado na confecção de qualquer tipo de roupa. [Aqui está outro “caroço” deste angu, e o caroço mais brabo, que não passa na minha garganta. Eu realmente não sei porque “cargas d’água” tanto enaltecem o tecido composto por PET reciclado como sendo algo positivo para a moda, as pessoas e o meio ambiente. O tecido de PET reciclado não é adequado, porque:

  1. valida o consumo de refrigerantes (o PET vem principalmente das garrafas), que é um ” alimento pouco necessário na alimentação”, por assim dizer. Valida o consumo de poliéster, transferindo o problema da reciclagem do setor de polímeros para o setor de têxteis;
  2. o tecido composto por PET, em geral leva algodão não orgânico na composição, isto é, o tal algodão convencional que, como já disse: a união do PET com o algodão tem ainda mais dois problemas: enquanto o algodão é uma fibra natural, que permite a transpiração e facilita a lavagem (porque é bem “poroso” e, logo, água, sabão e suor penetram, entrando e saindo das fibras), o poliéster é rígido, “condensado”, sem “poros” (ou seja, dificulta a transpiração, a passagem do suor pela roupa, dificulta a lavagem e, com o tempo, vai amarelando, reagindo com suor, desodorante, sabão, formando umas “placas” embaixo do braço). Agora, o PET tem um lado positivo, fixa melhor a cor que o algodão – mas, ora pois!, o tingimento é principalmente de pigmentos inorgânicos, metais e sais pesados. Então, qual o real valor da sustentabilidade ambiental nesse tecido? há uns oito anos, a indústria da moda lançou o jeans com garrafa PET – que ficou famoso pela comercialização da marca Carlos Miele, que costuma investir em jeans diferenciados. Porém, conforme um representante da Tavex (que comprou a Santista), dos principais fornecedores de têxteis do mundo, me contou: esse jeans com PET não vingou no Brasil porque é “quente”. Claro. Trata-se de um tecido que tem plástico na composição (PET é um tipo de plástico) e de um país tropical, em que o calor vigora na maior parte do tempo e do território. O raciocínio é semelhante: essa malha com PET é ideal para o inverno. Ao contrário do que afirma a reportagem, o tecido de PET não fica bem para qualquer tipo de roupa (nem qualquer estação), indiscriminadamente.
    • ocupa uma área de 3% do globo;
    • consome 25% (uns falam em 23%) de todas as inseticidas consumidas no mundo e cerca de 10% de todas as pesticidas;
    • em torno de 160 gramas de agrotóxicos são usados para confeccionar uma camiseta que possui 250 gramas de algodão;
    • trabalham 40 milhões de pessoas nessas plantações, em péssimas condições, de extrema pobreza e insalubridade;
    • todo ano morrem em torno de 20 mil de pessoas por causa dessas plantações de algodão;
    • a maioria das plantações de algodão normal concentram-se em 22 países em desenvolvimento, como Brasil e Índia;
    • ou seja, a fibra PET está associada a uma fibra infimamente sustentável quanto ao critério ambiental e social;
  3. particularmente, me incomoda ver empresas do porte e esclarcimento como Natura, comercializando produtos de vestuário com a tal da malha Eco PET. Eu mesma, tenho uma camiseta dessa empresa – que só uso dentro de casa, porque o desgin dela me desagrada, mas, enquanto pesquisadora de moda e sustentabilidade, tenho que comprar essas coisas pra testar. Vou deixar a narrativa do teste dessa camiseta para outro post, daí boto foto e tudo o mais, mas afirmo, enquanto consumidora, que é mais um lixo industrial essa camiseta de malha eco pet: esquenta, mancha, desbota e tem um toque adstringente, meio áspero – que só quem está habituado a tangenciar tecidos sabe do que estou falando, é difícil descrever o toque de um tecido, o toque em si, o tato, é mais eficiente para embasar o argumento. Procurem vestir camisetas de malha de PET e tirar suas próprias conclusões…

    Com essa imagem (de MEV, microscopia eletrônica de varredura), dá para ter uma ideia do que estou falando sobre a fibra de algodão e de PET. A figura da esquerda mostra um polietileno puro – o poliéster se assemlha a isso. E a figura da direita mostra um compósito de polietileno com 30% de juta, que é uma fibra natural – o algodão é tipo isso, só que mais cheio de “fiapos”, “poros”, “irregularidades”.

A indústria já encontrou maneiras de transformar o que era lixo em roupa nova, mas o que fazer quando a roupa é que vira lixo? Restos de tecidos podem contaminar o meio ambiente.
Se forem jogados em aterros, demoram até 300 anos para se decompor. [Esses dados estão muito vagos, vamos destrinchar isso. No Brasil, as duas principais fibras têxteis que compõem os tecidos são algodão e poliéster. As condições de decomposição variam, mas em geral, pode-se afirmar que o tecido de algodão leva em torno de 01 a 05 meses para decompor, o poliéster – que é um tipo de polímero/plástico – leva mais de 100 anos, e os polímeros em geral levam até 400 anos. O Inventário Nacional de Resíduos Sólidos, em 2008, demonstrou diversos destinos dos resíduos têxteis. Restos de tecidos, se jogados no meio ambiente, contaminam o mesmo, pois são um material estranho ao mesmo, manufaturado. Recentemente, em 2010, começou a vigorar a Lei nº 12.305, consoante a Política Nacional de Resíduos Sólidos, que, em uma interpretação livre e simplista, obriga a empresa a se tornar responsável por seus resíduos.]

Uma empresa de Maringá transformou o que poderia ser um problemão em matéria-prima. A fábrica recebe 10 toneladas de retalhos por dia. São sobras das indústrias de confecções e servem para produzir estopa, usada na fabricação de colchonetes e acolchoados. [Essa é apenas uma das soluções para os resíduos sólidos da moda, que são basicamente os seguintes:

  1. Provas de tecidos
  2. Amostras
  3. Produção “off-cortes”, como sobras de infestação (boa parte dos “retalhos” está nesta categoria)
  4. Final de rolos
  5. Ourelas
  6. Tecidos excedentes
  7. Tecidos com defeitos

Na Alemanha, aproximadamente 460.000 toneladas de vestuário/roupas são recolhidas e reutilizadas. O que eles estão fazendo lá? Transformar em estopa e “recheio” de objetos é das soluções mais elementares, “meu caro Watson”. O que essa empresa em Maringá faz não é nenhuma novidade, inovação. Há alguma outra relação da empresa com a reportagem?]

Outra maneira de reduzir a quantidade de tecido que vira lixo é comprar menos e reaproveitar o que se tem no armário. A ideia virou tendência na Europa. É o chamado slow fashion. Aos poucos, o movimento tenta conscientizar consumidores e provar que menos pode ser mais. [Tendência??? Prefiro não comentar a semântica desse termo, uns trocariam por comportamento de uma minoria, que vem ganhando visibilidade. Eu prefiro atentar que o slow food surgiu em 1986 (uns dizem 87, outros 89) e, a partir da ideia de comportamento slow, surge o slow fashion – hoje em dia, tem slow pra tudo, slow science, slow sex, etc. No caso do slow fashion, não se trata de um movimento organizado, mas de um comportamento de consumo que recebeu um nome e se desenvolveu enquanto conceito, aplicável para o pensamento da dinâmica da moda, considerando todos os seus stakeholders. Creio que estejam explicando o slow fashion por meio do slow journalism, mas isso é só uma suposição vaga ou uma provocação desnecessária – em todo caso, o intuito seria não perder a piada! hehehe]

“As pessoas estão obcecadas pelo novo. Só sabem colocar o cartão de crédito na máquina para gastar dinheiro”, diz Kate Fletcher, consultora de moda sustentável. Segundo Kate, os preços das roupas nas lojas populares da Grã-Bretanha caíram 25% nos últimos dez anos. Nunca antes foi possível comprar tanto, tão barato. [Muito legal! Conseguiram entrevistar uma das principais pesquisadoras de moda sustentável do mundo, que investiga o assunto há 20 anos! E o que tiram de proveitoso de sua fala? Poxa, a Kate Fletcher tem muito o que dizer de mais relevante sobre o assunto; a citação dela na matéria escrita não é nada de mais, só reitera o senso comum. Já no vídeo, foi melhor aproveitada, embora as considerações de slow fashion tenha sido deveras resumidas. Que façam mais entrevistas com ela!! Particularmente, depois dos integrantes do Pink Floyd, a Kate Fletcher é a figura pública que eu mais admiro – mas isso não vem ao caso, só estou tratando o assunto com a leveza com que o mesmo trata seu receptor.]

Além de pregar um equilíbrio maior no consumo, o slow fashion defende marcas éticas e propõe algumas mudanças de hábito, como ir às compras em brechós, trocar peças com os amigos e alugar bolsas de luxo, ao invés de comprar. [Sim! Há diversos tipos de serviços – e a Itália (vide Milão) tem demonstrado isso bem – de moda voltados para a sustentabilidade. Aliás, o slow fashion é um conceito que baseia-se no de slow food, que surgiu na Itália.]

No Brasil, o estilista Jefferson Kulig aposta na moda sem exageros. Ele diz que o guarda-roupa deve ter mais peças clássicas duráveis e menos espaço para tendências passageiras. [Tenho uma simpatia particular pelo estilista Jefferson Kulig: durante meses, este meu blog apresentou no layout um banner direcionando para a e-shop de Jefferson Kulig. Cheguei a fazer comentários sempre muito positivos sobre as roupas (materiais, configuração, estilo) de Jefferson. Mas nos últimos três meses, algumas situações me fizeram repensar a questão da ética da marca. Faz tempo que estou para citar os fatos e acho que agora é oportuno, e eu vou me limitar a apenas duas (porque essa marca me deu canseira com as evasivas)que ressaltam a questão da transparência da mesma. Vamos lá:

Até meados de 2011, este blog ofereceia um desconto de 30% – que depois passou a ser de 15% – nas roupas da e-shop do Jefferson Kulig, aos leitores do blog, por meio de um código (MDTC) localizado em post específico, o qual deveria ser inserido no ato da compra virtual, como um código de cupom promocional. Em contrapartida, eu receberia 10% do valor devidamente depositado na minha conta corrente em banco. Sinceramente, nunca conferi  se isso funcionou, se caiu algum dinheiro na minha conta. Além disso, foi concedido ao administrador do blog (no caso, eu) descontos de 50% em até duas peças de roupa por mês adquiridas na e-shop. Eu nunca comprei nenhuma roupa do Jefferson Kulig.

Um dia (19/10/2011), depois do próprio Depto de MKT ter comunicado o fim da parceria dos blogs com a marca, qual não foi minha surpresa ao receber um e-mail da mesma, citado na íntegra:

A marca  Jefferson Kulig, estabelecida no mercado  brasileiro desde 1992 e presente no line-up do SPFW desde 2002, inaugurou em 2009 sua loja virtual – o E-Shop JEFFERSON KULIG.   No ano seguinte realizou parcerias com blogueiras(os) de todo o Brasil, proporcionando benefícios para ambas as partes.  Devido a um redirecionamento do e-commerce e mudança de estratégia, foi dada uma pausa na parceria, agora retomada em um novo formato.

Atualmente comercializamos a linha de Camisetas Premium Jeffer.son, estampadas com tecnologia digital, reproduzindo com qualidade e design único, em um processo que  respeita o meio ambiente.  O processo é mais sustentável, pois elimina a necessidade de desenvolvimento de fotolito, matriz serigráfica e a preparação das cores, diminuindo consideravelmente o uso de matérias e energia.

O blog parceiro deverá disponibilizar um espaço para um banner promocional (o mesmo banner que teremos no blog oficial da marca) com link para nosso e-shop, que será trocado periodicamente de acordo com as ações promovidas, e em contrapartida a isso o blog terá desconto de 20% em nosso e-shop, exclusivo para o proprietário do blog, que poderá participar de ações em eventos virtuais e físicos (SPFW entre outros) e receberá informações sobre moda e noticias da marca em primeira mão, como os sites abaixo recebem:

http://msn.lilianpacce.com.br/home/jeffer-son-jefferson-kulig-camisetas/http://ffw.com.br/noticias/designer-brasileiro-lanca-linha-de-camisetas-premium-a-precos-acessiveis/http://elle.abril.com.br/blogs/elle-news/tag/camisetas-jefferson-kulig/http://colunas.criativa.globo.com/bicharada/2011/09/27/jefferson-kulig-lanca-linha-premium-de-camisetas-com-estampas-de-animais/http://modaspot.abril.com.br/news/jefferson-kulig-lanca-linha-de-camisetas-femininashttp://blooming.plex.com.br/2011/08/26/jefferson-kulig-lanca-marca-de-camisetas-premium/

Para aderir a esta parceria com a JEFFERSON KULIG, responda ao cadastro abaixo e envie para o e-mail radar@jeffersonkulig.com.br. Sendo aprovado, receberá seu código de cupom de desconto juntamente com banners em vários formatos para ver qual condiz mais com seu blog.

A seguir, a resposta que eu lhes dei em 26/10/2011:

Cara Sonia ou outrem, bom dia,

a nova proposta de parceria é bem inferior a anterior que era mantida, pois não oferece vantagem alguma aos leitores do blog. Quanto ao proprietário do blog, somente é vantajoso por vincular a imagem de uma marca (que eu, até então, julgo de respeito) ao próprio blog – não considero vantagem desconto de 20% em bem consumível.

Sendo assim, caso realmente se estabeleça parceria, ao menos enviem a imagem do banner mais o seu respectivo código em HTML, necessário para a plataforma de hospedagem em WordPress. Na parceria anterior, a pessoa do MKT JK responsável por essa questão havia ela mesma inserido o banner em meu blog, tendo hospedado a imagem em um site, mas depois – sabe-se lá porque – tirou a imagem que estava hospedada / “desospedou”, excluindo o código HTML respectivo. Eu havia entrado em contato pedindo m novo banner com código, mas na época a resposta foi que estavam reformulando a proposta de MKT, coisa que inclusive disseram pessoalmente quando estive no Minas Trend Preview do semestre passado.

O argumento de que a roupa é sustentável, somente frisando o processo de estamparia digital, é raso. É necessário saber qual a composição da matéria-prima usada e como é o processo produtivo e de distribuição (como são reduzidos os seus impactos no meio ambiente). Se não, a roupa não é sustentável, somente a estamparia causa menor impacto ambiental comparando-a com outros processos de estamparia. Sei que algumas (ou seriam todas?) imagens estampadas são de Andrew Zuckerman. Já que não se tratam de imagens desenvolvidas pelo Depto de Estilo/Design JK, por que não divulgar o autor das imagens? http://www.andrewzuckerman.com/site.html#?dr=0

Acho que falta um pouco mais de cuidado com essa proposta de parceria, afinal se trata de uma marca séria, não é mesmo?

Abs,

Luciana Duarte

No mesmo dia, me responderam o seguinte:

Cara Luciana,

Entendemos seu posicionamento.

Iremos estudar as questões levantadas. 

Obrigado pela atenção.

Equipe Jefferson Kulig.

Já há exatamente dois meses, não recebi nenhum comunicado da marca, seja defendendo a sustentabilidade dos produtos, seja defendendo a suposta parceria com o talentoso fotógrafo Andrew Zuckerman. Coincidentemente, “meu caro Watson”, parafraseando novamente Sherlock Holmes, desde este ocorrido, tenho verificado que as camisetas que são lançadas não tem mais imagens do talentoso e famoso fotógrafo – mas estou tomando muito cuidado para não supor nada, nem inferir nada, pois não detenho dados objetivos, apenas coincidências e omissões da marca.

Ei, Jefferson, responda minha pergunta:

Já que não se tratam de imagens desenvolvidas pelo Depto de Estilo/Design JK, por que não divulgar o autor das imagens?

Fotos de Andrew Zuckerman estampam roupas de Jefferson Kulig. Os direitos autorais não são mencionados pelo Depto de MKT.

Printscreen do site de Andrew Zuckerman, que tem video com gente como Ozzy Osbourne, Lenny Kravtz, Ravi Shankar e Philip Glass falando no site sobre música. Fora as fotos maravilhosas de aves.

No site da e-shop da marca, não consta nenhuma referência aos direitos autorais do fotógrafo. Vide:

“Sua busca não encontrou resultados”. Andrew Zuckerman, famoso fotógrafo, cujas algumas imagens estampam as camisetas de Jefferson Kulig, não é citado no site. Tampouco a empresa se pronunciou confirmando a parceria. Meu namorado deu esse printscreen no dia 27/10/2011 – e desde então eu estou guardando o assunto para o blog. O namorado, que é pós-graduado em marketing, ainda me orientou: “Esse projeto deles de mkt quer espalhar a marca deles no maior numero de blogs possível, mas os de peso, que discutem o tema com seriedade e ética de verdade, tem um publico qualificado segmentado como você, eles TEM que oferecer algo melhor que esse desconto. Aposto que se chegar na loja e falar q paga a vista duas peças eles dao 20%. Seu publico é no alvo em quem eles querem atingir e vc ia dar de graça pra eles.”

Meu caro leitor,

olho aberto!!!😉

No mais, por que o jornal não trouxe a pauta do slow fashion antes do Natal, hein? O compromisso da mídia parece ser com a indústria; no dia seguinte é com o consumidor.

E o Jefferson Kulig? Não compreendo esse direcionamento de MKT deles.

5 Comments leave one →
  1. Míriam permalink
    5 de June de 2012 11:35 AM

    Adorei seu texto. Não trabalho com moda nem nada (até que gostaria), mas acho muito importante conhecer o que se diz sobre ela, principalmente no quesito sustentabilidade.
    Nunca havia parado para pensar sobre o tecido com PET e realmente faz sentido não ser uma coisa lá tão boa. Também tenho uma camiseta da Natura e outra da Avon que são feitas com tecidos assim e realmente percebi que elas tem uma tendência de pegar cheiro e esquentar mais do que as outras.
    Também não conhecia a tal da slow fashion, mas acho que sempre fui adepta. Não suporto a ideia de comprar uma roupa ou calçado para utilizar somente na estação em que é “tendência”. Compro e uso por anos, até estragar e desbotar, depois uso para dormir e ficar em casa. E ainda assim, dôo para instituições. O mesmo com as roupas da minha filha, do meu marido, de cama, mesa e banho. E ainda com celulares e outros eletrônicos e tudo o mais que seja possível fazer isso.
    Fiquei perplexa uma vez no colégio em que a professora pediu para cada aluno perguntar aos pais quanto se gastava com roupas por mês. Eram valores exorbitantes, muito maiores do que o salário mínimo na época. Nunca entendi porque se gasta tanto assim em roupas!
    É realmente preocupante os argumentos utilizados atualmente para dizer que algo é sustentável. Como o tal do “couro ecológico”, que, pelo que a vendedora de uma marca conhecida na minha região explicou, nada mais é do que o couro sintético que já existe há anos, sem nenhum diferencial em sua produção nem nada que o torne mais ecológico do que era feito antes. Puramente uma jogada de marketing.

    Enfim, adorei seu site e irei atrás das outras matérias já postadas por aqui. Espero aprender muito mais e abrir mais ainda meus olhos.

  2. Maria permalink
    18 de September de 2012 1:19 AM

    Luciana,
    trabalhei no Estúdio Jefferson Kulig por algum tempo. Acredite, ele não se preocupa muito comd ética. Os “tecidos ecológicos” vem da China e são feitos do mais puro poliéster chinês. Algumas estampas são escolhidas de bancos de imagens e pagas, mas outras não passam por esse processo… vamos dizer, autoral.

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