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O paradigma catastrofista: a Reviravolta da Terra + o alerta final de Gaia + tendência do neoxamanismo urbano em 2012

29 de December de 2011

LEIA ESTE POST NO NOVO MODA ÉTICA:

http://modaetica.com.br/?p=3329

Nesta semana, estive a conversar, beber etc. com o Caio, grande amigo, pela identificação, compartilhamento de ideias e, verdade seja dita, primeiro relacionamento de ambos quando tínhamos uns 15 anos. A vida é muito generosa, mas nós estamos ficando caducos, que já somam 10 anos e quase nada mudamos, rs.

“Seu” Caio Csermak formou em Relações Internacionais e agora faz mestrado em Antropologia, tudo na Universidade de Brasília. Inteligente e bicho-grilo, me inpirou cedo a buscar isso em mim. E conversando, nada disso é importante – temos um encontro sincero, sobre os desassossegos vários, o supermercado das culturas, a simpatia inumana, ausências, faltas, uma certa melancolia, procuras, amores, o invisível, heterodoxia, apócrifos, sincretismo, enteógenos… O que nos aproxima como humanos.

E aí me passou o vídeo de um geólogo holandês catastrofista, Han Kloosterman, que já foi e fez tudo nessa vida, falando sobre a mudança do eixo da Terra. Essa mudança é mencionada por diversas culturas no mundo todo. Inclusive a católica – que não foi mencionada no vídeo, mas que pode ser compreendida pela Terceira Profecia de Fátima.

 

A Reviravolta da Terra – parte 1 from Terêncio Porto on Vimeo.

 

A Reviravolta da Terra – parte 2 from Terêncio Porto on Vimeo.

Eu estou lendo o James Lovelock – outro cientista foda (phD em Medicina nos anos 50, trabalhou na NASA) e outsider de carteirinha.

Lovelock fez vários instrumentos científicos na NASA. Hoje é um cientista que “tocou o foda-se” e fala o que quer: defende a energia nuclear como melhor energia para o mundo, dentre outras cositas polêmicas.

O Lovelock afirma que antes de 2050, o aquecimento global (e todos os vetores a ele relacionados) dão conta de fazer o homem voltar a virar barro. O Kloosterman fala que em 20 anos isso que hoje é tido como “ciência herege” será a corrente principal nas pesquisas científicas. A Terceira Profecia está prometida para a partir de 2005 (bem, já tem uns seis anos que ela está valendo, hein!). E fora aquela história que a massa às vezes diz que foram os maias, outras vezes dizem que foram os astecas, que afirmaram que o mundo acaba em 2012… Aqui em casa tem um calendário asteca, legitimamente mexicano, e seu sol central me olha superior e enigmático… Há números, mas também há muita poesia no cotidiano, enfim.

A mensagem de 2012.

Para quem está mais preocupado com que “tendência” de moda aplicar no desenvolvimento de produtos, eu diria que essa “expectativa do catastrofismo” é o que há. E essa “tendência” não é de modo algum alarmista, de medo. É um estado de espírito sereno, mas extremamente atento pelos indicadores do fim dos tempos. Há uma certa frieza, pois procuramos por números – qual a data do fim? E há também um certo conforto: morreremos todos juntos e há muito tempo sabemos disso. Começa haver um certo equilíbrio entre ciência ortodoxa e heterodoxa, por assim dizer. Busca por conhecimentos milenares, curiosidade pelo que nossos ancestrais tribais pensavam. E há uma necessidade de cura. Há um xamanismo urbano no ar.

A estética do xamanismo norte-americano, que pipocou sutilmente em 2011, dá licença ao neoxamanismo baseado na cultura celta. Ele é extremamente urbano, frio, sereno, sóbrio. Bom seria que nossos designers olhassem para a rica cultura índigena brasileira, que tem aceitado mulheres na pajelança.

Em 2012, a estética indígena continua (em 2011, ela apareceu em uns editoriais de moda em alguns desfiles), mas ela vem menos decorativa (menos franjas, menos penas, menos couros, menos turquesas, menos prataria), ela é mais calculada, geométrica, subversiva, com formas e materiais rígidos, pesados. Vamos pensar em neoxamanismo, tomando o indígena como um vetor para a busca de conhecimento científico. Observação: o indígena não se apresenta como um ideal como no Romantismo. Em 2012, o pajé é o cientista da vez. E atenção: nas culturas indígenas, tem sido cada vez mais aceitas mulheres como pajés – o que antes acontecia muito raramente. A Iracema de 1880 virou pajé em 2012 – ela é a fonte de cura e conhecimento.

A índia acreana Raimunda Putani Yawanawá teria sido a primeira pajé mulher – fato que se deu na mídia em 2006. Mas nós sabemos que há vários outros casos ocorrendo.

 

Resumindo a ópera: o mundo não vai acabar, a Terra fica mais quente e promete girar ao contrário. Poucos sobrevivem, é verdade. A ética da sustentabilidade volta-se para culturas milenares e para cálculos dos cientistas. Isso reflete em uma estética catastrofista amortizada pelo neoxamanismo urbano – daí a preponderância dessa estética: é um alento no caos. Mas tem muito mais além disso.

7 Comments leave one →
  1. Rodrigo permalink
    6 de July de 2012 11:56 PM

    Cara Luciana, cheguei de paraquedas neste ótimo texto, procurando por mais informações do documentário sobre Han Kloosterman. Quero contribuir com este sobre Allan Moore, que desenvolve uma visão afim a essas que você compilou, tanto no sentido da aceleração em que a informação vem sendo processada até atingirmos neste ritmo um estado gasoso, e que os xamãs e pajés não deixaram de existir ou foram escanteados, mas foram substituídos por outros atores, com as mesmas funções de amálgama. http://www.youtube.com/watch?v=4K1BSyX6IyA
    🙂

    Há também junto a essas coisas o “apocalipse motorizado”, um limite infraestrutural da nossa opção pelo veículo motorizado individual, onde o trânsito será de fato insustentável. Deve estar acontecendo qualquer dia também. hehe

  2. Rodrigo permalink
    11 de July de 2012 10:05 PM

    Que massa, Luciana! A permacultura, a agroecologia, a arquitetura sustentável (e as nem tão sustentáveis assim, mas que assim se intitulam), o ecoturismo e.. sei lá, até Marina Silva nas últimas eleições, realmente tudo isso parece ter a ver com uma nova tendência!
    Uma outra coisa interessante no vídeo do Allan Moore é que, pra ele, o “fim” (ou novo começo), a “modernidade gasosa”, também está muito próxima de ocorrer. Não seria tudo isso prenúncios de uma new age de verdade?
    Sendo ou não, acho muito interessante!🙂

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