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Ética, moral e trabalho – Francisco de Paula Antunes Lima

24 de January de 2012

LEIA ESTE POST NO NOVO MODA ÉTICA:

http://modaetica.com.br/?p=3540

Estava lendo um capítulo de um livro de um dos meus profs., o Chico, sobre ética. Fiz um fichamento (meu método de estudo é ler ao menos uma vez, grifar e anotar no texto, fazer um fichamento digitado e, tendo tempo, escrever o que entendi) e segue aí, porque as pessoas costumam se indagar sobre o que é ética, o que é moral e como essas coisas se dão no trabalho.😉

LIMA, Francisco de Paula Antunes. Ética e Trabalho. In: Psicologia organizacional e do trabalho; teoria, pesquisa e temas correlatos. GOULART, Iris Barbosa (org). São Paulo: Casa do Psicólogo, 2002.

p. 70

“Enquanto a ética pode ser vista como algo inerente ao processo real da vida em sociedade, a moral aparece mais como uma tentativa ideológica de reconciliação de esferas de vida separadas pela autonomização da economia na era moderna.”

“[…] moral do trabalho como instrumento ideológico de dominação e de controle social […]”

p. 71

“[…] distinguir entre moral do trabalho e ética no trabalho, como expressão da dupla existência da formação ideal relacionada aos valores, o que nos permite compreender a moral enquanto ideologia de dominação e a ética no trabalho como forma positiva de construção de uma sociabilidade efetivamente humana no interior da própria produção material.”

“Reconhecer a existência de “dimensões éticas” da atividade de trabalho implica, antes de tudo, compreender o trabalho como uma atividade qualitativamente diferente das atividades fisiológicas e cognitivas […]”

p. 75

“[…] distinguir que valores existem objetivamente no trabalho (ética no trabalho) de sua manipulação ideológica (moral do trabalho) […]”.

“No interior do ser social assim caracterizado, o sistema ético será o conjunto de valores instituídos pela totalização de atos individuais que se põem em conformidade com os pares categoriais de orientação axiológica: verdadeiro/falso, belo/feio, justo/injusto, eficaz/ineficaz, útil/inútil, agradável/desagradável, todo esse conjunto estando coroado pela distinção moral entre o bem e o mal”.

“Quando recorremos às obras da filosofia moral, nos defrontamos de imediato com um paradoxo: a distinção incessantemente postulada entre esses dois termos [ética e moral] é sistematicamente desmentida pela utilização indiferente de um termo por outro.”

p. 76

“[…] a moral diz respeito aos valores absolutos, enquanto a ética concerne deliberações circunstanciadas e relativamente contingentes.”

p. 76 e 77

“Deve-se dizer ética ou moral? A moral nos lembra a existência do dever e das interdições, ela nos fornece uma doutrina de ação, nos convida a julgarmos a nós mesmos, a nos vigiar e a nos transformar por respeito à regra. Donde a possibilidade do moralismo: atitude que consiste a se especializar em lembrar aos outros seus deveres, de cultivar sutilmente neles o sentimento de culpabilidade, para em definitivo manipulá-los. A ética, ao contrário, remete a uma certa espontaneidade. Sejam hábitos ou modos de um povo, constituídos em uma “segunda natureza”, seja a espontaneidade do próprio indivíduo (os valores que ele põe ao se auto-afirmar), a ética veicula a ideia de nostalgia de uma vida que seria boa e sem problemas, de uma vida que não seria constantemente em conflito com ela mesma, de uma responsabilidade que não excluiria a inocência. Em uma palavra: de uma vida moral sem a moral. Desse ponto de vista, a ética é sobretudo a busca da felicidade, felicidade do indivíduo que escolhe uma existência, felicidade da relação entre os homens, da qual se trata de encontrar a autenticidade (Canivez, 1988).”

p. 77

“[…] a moral assume um caráter prescritivo e normativo; enquanto a ciência dos costumes adota uma postura descritiva. A moral se interessa à universalidade dos valores e normas, enquanto a ética remete à prática social e historicamente situada na qual esses valores e normas são efetivamente postos.”

p. 81

“A ética, conjunto efetivo de valores, normas e regras de convivência social, amálgama das relações intersubjetivas, é normalmente considerada como a força de ligação das relações sociais, que conforma ou orienta do exterior as atividades econômicas. Quando lembrada a respeito dos problemas postos pelo trabalho e pela produção, soa sempre como ideologia e manipulação.”

p. 91

“[…] aspectos particulares do estilo brasileiro de dar um jeitinho (como falar e pedir, implicar emocionalmente o outro com suas histórias pessoais, ser simpático, etc.), o essencial dessa prática social é que o jeitinho só funciona quando não há interesse ou ganho pessoal direto, uso de dinheiro ou corrupção, recurso ao poder ou à força, nem transgressão ilegal das normas, manipulação ou coação ideológica.”

p. 95

“Por que os trabalhadores inventariam novas estratégias para tornar o trabalho mais fácil e mais eficaz?”

p. 103

“Na maior parte das vezes, essas orientações ou ordens são desnecessárias, quer porque os trabalhadores já sabiam como se comportar naquela situação, quer porque são inadequadas. Algumas vezes, dependendo da insistência dos chefes, os operadores fazem o que eles pedem, sabendo que o problema não vai ser resolvido, o que acaba acarretando-lhes uma carga de trabalho maior porque o processo fica mais instável. O mais comum é que os trabalhadores hajam da forma como eles próprios consideram a mais acertada […]”

p. 108 – definição de trabalho

“[…] o trabalho é, por sua própria natureza, uma prática social, comportando dimensões fisiológicas (é uma atividade que se serve do corpo) e dimensões cognitivas (é uma atividade consciente), mas também dimensões sociais e éticas (é uma atividade que implica pessoalmente o trabalhador e é direcionada a outrem).”

p. 112 – Marx, riqueza

“O que é a riqueza, senão uma situação em que o homem não se reproduz a si mesmo numa forma determinada, limitada, mas sim em sua totalidade, se desvencilhando do passado e se integrando no movimento absoluto do tornar-se? (Marx. Formen. p. 81)”

MARX, K. (Formen). Formações econômicas pré-capitalistas. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1985.

p. 115

“Temos assim, ao contrário da moral abstrata importada de outras esferas, condições de conceber uma ética que seja intrínseca à própria produção, e que aí funcione como força produtiva efetiva. De modo geral, a ética não aparece como uma esfera superior às outras esferas da vida humana, mas sim uma dimensão que atravessa todas as esferas.”

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