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Las Huaraches del Dom Genaro

26 de January de 2012

LEIA ESTE POST NO NOVO MODA ÉTICA:

http://modaetica.com.br/?p=3567

Tem tempo estou para falar das huaraches, que meu amigo Genaro confecciona. Hoje à noite, a turma (eu, Sil, Bahia) vai para o apto dele fazer umas experimentações com retalhos, etc. – e como já acordei pensando que o Genas não passou o endereço de casa e eu vou ficar marcando no centrão de BH até chegar no Sion (ô Genas, assim que vc. ler isso, me manda uma mensagem de SMS, vou tá a tarde sem net, fotografando as fardas da polícia militar!), pensei, “de hoje cedo o post não passa.”

Bem, há alguns meses, o The Sartorialist fotografou um e outro indivíduo com “strappy sandals”, que são sandálias de amarrações, check it out above:

Strappy sandals com blusa Missoni e mix de padronagens, coisa de bacana! Fonte: The Sartorialist.

Há aproximadamente um ano, my dear friend começou a produzir as sandálias, chamadas de huaraches, que os índios Rarámuri usam (há cinco mil anos) para praticar a chamada “corrida descalça”.

Aí eu (que cara é essa de “nham”, Luciana?), no inverno de 2011, usando as minhas huaraches, feitas sob medida e de presente para mim!;)

Ele também criou dois sites:

Barefoot Brasil, que divulga a cultura da corrida descalça (tradução tosca de “barefoot”)

Taboo Sandálias, em que comercializa as huaraches

Eu cheguei a comentar das Taboo Sandals em algumas ocasiões – uma delas, inclusive, uma palestra que dei na Escola de Arquitetura da UFMG.

Mas afinal, o que tem de tão legal nessas huaraches???

Taboo sandals

 

1. Rarámuri

  • o mesmo design dos índios mexicanos Rarámuri, que ganham tantas corridas com essas sandálias (hello Nike? hello Adidas? hello amortecedores?), com a possibilidade de fazer as mesmas amarrações milenares
  • é um produto que está divulgando uma cultura (e não simplesmente se apropriando de uma tecnologia social de uma tribo desconhecida e lucrando em cima dela)
  • o fato de ser algo milenar, dos primórdios, faz com que tenhamos essa conexão (meio “id freudiano” né?) com o próximo, sentir-se parte da humanidade, ligar-se aos antepassados

2. Cenário da hiper tecnologia

  • o cenário da hiper tecnologia diz respeito a permitir o aumento da população e das demandas de consumo, mas procurando desmaterializar produtos, processos e produção, ou seja, reciclando, reutilizando, isto é, usando os mesmos materiais para novas configurações de produtos Para dar conta de suprir as demandas de consumo da população cada vez maior, o jeito é aprimorar as tecnologias de mateiriais, de produção, de transporte, etc.
  • utiliza material reciclado no solado, como correias de máquinas agrícolas, pneus de avião, etc., tudo muito resistente – não esses pneus carecas dos calhambeques
  • utiliza como cordas os paracords do exército norte-americano (hello tendência army/militar da última SPFW! aqui o militarismo é genuíno, é o mesmo material da principal armada do mundo!), que são super resistentes e dão a aderência (coeficiente de atrito, pra quem gosta do termo técnico) ideal para não desamarrar durante as corridas

Paracord legítimo do exército norte-americano. Isso sim é ser ético com a tendência militar: usar o mesmo material e não simular!

  • comercializada pela internet, sem lojas físicas (e todos os custos ambientais e econômicos de se manter uma propriedade), para qualquer lugar do mundo (hello Sedex! hello Fedex!)
  • preço competitivo, no target do mercado
  • e uma das coisas que eu mais aprecio é que está bem dentro dessa estética de misturar tecnologia e artesanato, conferindo soluções criativas, e tão característica do ethos brasileiro (ex. a gambiarra)

3. Esporte

  • a finalidade do calçado é a corrida (barefoot), que é um dos esportes mais saudáveis para o nosso corpo
  • quantos produtos beneficiam a nossa saúde, o nosso movimento e ainda estão relacionados a moda?
  • e uma coisa vai levando a outra, um produto vai instigando o conheicmento de outro que reitera um comportamento. Por exemplo, os meninos (meu namorado então, nem se fala!) estão fissurados na tal semente de chia, super saudável para o corpo. E aí eu brinquei com eles, mostrando que a chia saiu na Vogue Brasil de outubro, como algo super exclusivo, importada, etc., o underground é coisa de madame também, rs, só brincando com os preconceitos!
  • o que despertou o Genas a produzir as sandálias foi um livro que estourou nos EUA, chamado “Born to run”, em que fala justamente da corrida dos indígenas, preferível à corrida com tênis cheio de amortecedores

Plantação de chia, a semente que é a última moda dos bicho-grilo e das madames!😉

4. Cenário da hiper cultura

  • neste cenário, há uma mudança cultural, lenta e consistente, que parte da sociedade, buscando reduzir e questionar o consumo de objetos industriais/em massa
  • as Taboo oferecem a possibilidade de DIY (do it yourself, faça você mesmo) ao permitir que o usuário configure as amarrações que ele desejar (e que melhor se adéquem ao seu pé, conferindo conforto)
  • fazer com que o usuário imagine a melhor solução adequada a ele é uma forma de não impor uma resposta, algo bem ético eu diria – mas que, também, tem um outro lado, no caso dos produtos DIY: eles deixam uma etapa de produção nas mãos do usuário, reduzindo-a na empresa (aumentando lucro e tudo que vovô Marx já dizia)
  • há a transparência de divulgar os outros fabricantes no próprio site da sandália! Isso é demais! “Você não quer essas? Tudo bem, te mostro os outros produtores que talvez te interessem!” Divulgação da concorrência para o cliente potencial
  • no site, você pode escolher as cores que quiser das cordas, o calçado é feito somente sob medida (para tanto, você deve enviar ao Genas um desenho do seu pé, só riscar envolta do pé, quase que nem criança) – ou seja, se você calça 37 e meio (meu caso), mas só encontra calçados 37 ou 38, “seus problemas acabaram!!!” (já dizia o Polishop!). Falando sério, o fato de permitir que o usuário tenha um calçado exclusivo, sob medida, customizado e customizável por ele, aumenta o valor de estima com o mesmo, favorecendo o aumento do ciclo de uso de tal produto
  • ah, tem um detalhe: o Genaro não quer vender pra qualquer um! Só pra quem realmente está entendendo do assunto, está compreendendo o que consome, pra quem gosta de verdade – porque é ele mesmo que faz, dá trabalho, é algo especial, tem valor pessoal do artesão (neste caso, designer de produto) para o consumidor. E isso é outra tendência forte de comercialização de produtos, que vem do mercado de luxo – mas, enquanto o mercado de luxo seleciona os consumidores por seu poder aquisitivo, qualquer outro mercado pode também selecionar seus consumidores com base em algum parâmetro (como entender e gostar mesmo do assunto). Isso é a vanguarda! Não incentivar o consumo das massas!

E para finalizar, cacei umas imagens do Genaro (cujo nome é inspirado no personagem homônimo de Carlos Castañeda, ele me emprestou o livro “A erva do Diabo” e assim que eu terminar esses trabalho bobos da Engenharia, começo a leitura) e de suas “pernas de aço” (ahaha, pode ficar bravo! Quando Milton Nascimento cantou “amigo é coisa pra se guardar no lado esquerdo do peito, etc…”, o Homem-Legenda, dos quadrinhos do Adão Iturrusgarai, traduzia: “amigo é pra tirar sarro com o outro!” hehehe). Verdade seja dita: todo mundo adora o Genaro, por sua simpatia espontânea, sua risada ampla e sua inteligência desmedida (o cara sabe tudo de tudo; sou fã!).

Genaro correndo semi nu na Serra da Moeda. Deixa a foto aqui, que é pra dar ibope pro blog ahaha, as meninas vão gostar! =P

Pernas de aço do nosso amigo: as huaraches fazem bem para a saúde!😉

* Ô Genas, o Bahia acabou de mandar e-mail perguntando que horas é pra chegar na sua casa! Eu também quero saber horário, local, o que levar! Manda um sinal de fumaça…!

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