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Muito feio, Jefferson Kulig!

25 de February de 2012
Divulgação das camisetas do Jefferson Kulig por ele mesmo.

Divulgação das camisetas do Jefferson Kulig por ele mesmo.

LEIA ESTE POST NO NOVO MODA ÉTICA:

http://modaetica.com.br/?p=3823

O que vemos aqui?

1) Uma marca – Jefferson Kulig – fazendo lançamentos de produtos em ritmo de fast fashion. Consuma, consuma camisetas com estampas de bichos (ou de flores, essas tão feias; e flores são tão belas…). Já marquei no meu e-mail como spam – nenhuma outra marca enche tanto a caixa de e-mail como esta! Isso é muito cansativo.

2) Uma marca menor – Jefferson Kulig – adotando a estratégia de ir no rastro de uma maior – Burberry. Complexo de inferioridade? Comensalismo fashion? E/ou a velha história da moda brasileira na antropofagia do gringo? Antes Jefferson Kulig já havia feito a mesma divulgação de seu produto, mencionando as estampas gastronômicas da Prada e fazendo uma versão abrasileirada das mesmas. – Oi, criatividade, cadê?

3) E essas corujas? Seriam mais uma das imagens copiadas, sem creditar os copyrights ao autor (Andrew Zuckerman) das mesmas? Uma vez que a marca copia e não menciona o autor (isso seria dizer que a marca rouba imagem de alguém?), ela fica sob suspeita. Como diz o ditado: ninguém acredita em um mentiroso quando ele diz a verdade.

Tenho muitas dúvidas quanto ao posicionamento que a marca tem tomado. A marca é ética? Os indícios são que não.

E questão de gosto pessoal: as camisetas da Burberry são mais bonitas.

E questão filosófica: falta de ética é feio mesmo, implica em objetos feios.

Segue abaixo, um trecho que escrevi em um trabalho científico sobre essa relação de ética e estética (já tem tempo, 2010).

A ideia de comportamento benéfico implica na compreensão da estética, um “espelho” da ética. Do grego aísthesis, estética significa sensação, sentimento, “debruçando-se sobre as produções (artísticas ou não) da sensibilidade, com o fim de determinar suas relações com o conhecimento, a razão e a ética” (ROSENFIELD, 2009).

As relações intrínsecas entre ética e estética remetem a educação grega nos tempos de Sócrates, com o conceito da kalokagathía[1], isto é, da “ideia de uma convergência do valor estético com os valores éticos (utilidade social e política) da comunidade” (ROSENFIELD, 2009), a qual inclusive sustenta a Paideia[2] clássica. Trata-se de uma educação que busca sempre associar a ética à “política da estética e das técnicas de produção dos (belos) objetos” (ROSENFIELD, 2009). Essa intrínseca relação entre ética e estética é explicitada a seguir:

o indivíduo que tem valor moral é suscetível de agir belamente, e, vice-versa, o indivíduo belo tem a possibilidade de atos moralmente bons. No entanto, acrescenta Sócrates, esse elo não é dado – estabelece-se com vistas a algo outro: a utilidade, ou seja, é referido a uma finalidade (ROSENFIELD, 2009, p.11).

Constata-se que a compreensão atual do elo ética / estética ainda hoje remete ao pensamento socrático. Para De Moraes (2009, p. 41),

a estética vem sendo considerada como um reflexo do comportamento do homem enquanto ser social (aqui entendido como grupo coletivo), das apreciações referentes às condutas e atitudes humanas. Isso é a ética, que acaba podendo influenciar a estética da cultura material.


[1]   Termo grego que compreende o belo e o bem.

[2]  Do grego paidos, criança, tem diversos significados, como: criação de meninos; cultura construída a partir da educação; herança de uma sociedade para outra.

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