Skip to content

TOMS Shoe Giving (dica da Sara) + Barefoot College (dica do Genaro) + Rondon

28 de March de 2012

Calçado?

LEIA ESTE POST NO NOVO MODA ÉTICA:

http://modaetica.com.br/?p=3793

Para a moda, pobreza é não ter o que calçar. São os calçados que conferem dignidade ao homem. Os escravos brasileiros, de dentro da casa dos senhores, se vestiam tão bem quanto seus “donos” (para que estes pudessem ostentá-los perante os demais senhores), exceto por um detalhe: por melhor que o escravo se vestisse, ele sempre estava descalço.

Escravo no Brasil: bem vestido em alguns momentos, mas invariavelmente descalço.

Escravo no Brasil: bem vestido em alguns momentos, mas invariavelmente descalço.

Diante disso, uma empresa de calçados (que poderia ser a Havaianas no pobre Brasil, mas não é) chamada TOMS montou um modelo de negócio em que a cada par de calçado vendido, um é doado para uma criança carente. O vídeo abaixo ilustra bem a proposta do “one for one”.

TOMS Shoe: uma alpargata mais estilizada, em que a cada par vendido, um é doado para uma criança carente.

TOMS Shoe: uma alpargata mais estilizada, em que a cada par vendido, um é doado para uma criança carente.

Essa questão da pobreza estar relacionada a não ter o que calçar me lembrou da Universidade dos Pés Descalços (Barefoot College), que lida com conhecimentos de tecnologia social e um outro modelo de ensino-aprendizagem, voltado para as pessoas desfavorecidas (em $$, mas não em conhecimento).

Barefoot College: desafiando o conceito de pobreza.

O idealizador do Barefoot College, Bunker Roy, “fez uma fala” brilhante no TED. Confiram:

Aqui no Brasil, é diferente.

Eu recebi no e-mail publicidade pra fazer para uma empresa XY de moda verde (não é moda ecológica, nem sustentável, tampouco é moda ética) que, no seu projeto “um dividido por um” (bem aos moldes do TOM Shoes), a cada camiseta vendida, uma é doada para… índios! Aham.

Nossos índios precisam mesmo se “embranquecer” com camisetas provindas de filantropia empresarial momentânea? E seriam essas camisetas aquelas sobras de coleção passadas que não conseguiram nem ser desovadas nos mercados secundários (como outlets)?

A melhor forma de ajudar nossos índios é preservar suas terras e garantir seus direitos – sempre, com projetos consistentes. Sugiro a esse tipo de empresário de moda verde ler o Marechal Rondon (to olhando aqui pra um livro dele na minha estante) que, apesar do discutível positivismo e da transformação da compreensão de sua identidade conforme se dá a História do Brasil em cada momento, foi um cara sensacional, empreendedor, protetor das florestas, implementador de tecnologia (tá bem, o telégrafo não vingou) e um “pai” da política indigenista.

Rondon : o marechal da floresta

Rondon : o marechal da floresta

Livro: Rondon: o marechal da floresta

Autor: Diacon, Todd A.

Editora: Companhia das Letras

Sinopse: Em 1907 – ano em que se estabelece a Comissão Rondon -, a autoridade do governo brasileiro não alcançava todo o país. A falta de comunicação com as regiões afastadas já se tornara, durante a guerra do Paraguai, um problema de segurança – como manter controle sobre um território de dimensões continentais sem que houvesse uma maneira prática de transmitir ordens, receber notícias ou traçar estratégias com as fronteiras distantes do poder central? Apesar disso, quando ergueu a famosa linha telegráfica que cruzaria grande parte da bacia amazônica, Rondon pretendia mais do que criar um canal direto entre governo e província. Ao hastear a bandeira nacional em todas as estações telegráficas, ao tocar o hino em datas cívicas, ele desejava transmitir uma idéia de unidade nacional a essas regiões mais afastadas. O brasilianista Diacon descreve com riqueza de detalhes as principais viagens de Rondon pela Amazônia, além de reconstruir a aventura tragicômica que foi conduzir o ex-presidente norte-americano Teddy Roosevelt em uma das expedições.

——-

Moçada que me manda e-mail com “sugestão de pauta” ou me “informando” de alguma marca de moda verde com um projeto “escalofobético/megalomaníaco”, um recado: nem perca seu tempo. A sua dica tem que ser muito consistente e não estar vinculada a seu trabalho de assessor de imprensa ou marketeiro.

One Comment leave one →
  1. 28 de March de 2012 7:31 PM

    adorei a ligaçao que vc fez entre a Toms e a universidade dos pés descalços! alias, projeto esse (do Barefoot College) sensacional, emocionante queroirpralá!

Leave a Reply

Fill in your details below or click an icon to log in:

WordPress.com Logo

You are commenting using your WordPress.com account. Log Out / Change )

Twitter picture

You are commenting using your Twitter account. Log Out / Change )

Facebook photo

You are commenting using your Facebook account. Log Out / Change )

Google+ photo

You are commenting using your Google+ account. Log Out / Change )

Connecting to %s

%d bloggers like this: