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Entrevista ao vivo para a Rádio UFMG sobre Moda e Sustentabilidade

29 de March de 2012

LEIA ESTE POST NO NOVO MODA ÉTICA:

http://modaetica.com.br/?p=4070

Acho que se eles tivessem dito que era ao vivo, talvez eu não tivesse topado, rs! Mas correu tudo bem e foi super legal e tranquilo (ufa!) ser entrevistada ao vivo para a Rádio UFMG! Muito obrigada!

Eu falei sobre:

  • o fato da “moda sustentável” ser mais um termo mercadológico que acadêmico, mas que envolve o uso de tecidos ecológicos (além de produção limpa, o que é raríssimo nas confecções de moda no Brasil; as empresas têxteis é que tem mais certificação ISO 14001), desenvolvimento social e viabilidade econômica;
  • que em geral, no Brasil, há o design verde na moda, isto é, a substituição dos materiais (tecidos) convencionais por ecologicamente corretos. Afinal, a maior parte da produção é terceirizada e informal – ou seja, majoritariamente, não há carteira assinada das costureiras, não há seus direitos trabalhistas assegurados. Então, que desenvolvimento social é esse? O que mais se vê são projetos perenes (da estação da coleção) relacionados à favelas ou algo que dê visibilidade comunicacional;
  • tecidos ecológicos, como algodão orgânico, canvas (do canhâmo), linho;
  • que o algodão não orgânico, isto é, o convencional, é dos mais poluentes do mundo, consome grande parcela de água e pesticidas do mundo, matando anualmente 20.000 trabalhadores nas plantações;
  • expliquei porque o tal do tecido ecopet, amplamente usado no setor de têxtil e moda, não é adequado para o Brasil. O PET só representa 17% dos polímeros descartados no país – mas é dos polímeros mais “percebidos” pelos consumidores, porque se sabe estar nas garrafas de água e refrigerante. No entanto, não é adequado, porque agrava a sensação de calor ( o poliéster “esquenta”) em um país tropical;
  • expliquei que a malha de visco bambu também ainda não é adequada, porque fura/pica muito, é difícil de costurar – em relação a malha de viscolycra (que tem é elastano e não lycra, e vemos muito no Barro Preto e Prado, pólo de moda de Belo Horizonte);
  • que moda ética é um conceito mais amplo que moda sustentável. Surge em 2004 com o desfile e manifesto do Ethical Fashion Show, em Paris. E que eu trato do termo relacionando-o à ética da sustentabilidade, um ethos para o setor de moda;
  • que moda sustentável já foi moda, no sentido de modismo, no nosso país em 2007 (e em países europeus, como França e Itália, em 2004 e 2005). Hoje moda sustentável é direcionamento de mercado;
  • desconheço moda sustentável na alta-costura;
  • a moda sustentável ainda está ligada às classes mais altas. Por que? Porque demanda informação de consumo e tem um preço um pouquinho mais alto (por causa dos tecidos). A classe C está podendo consumir e quer se vestir de forma bonita, não necessariamente ecológica. Primeiro, se tem acesso ao consumo, depois à informação sobre esse consumo;
  • eu vejo mais homens nas ruas com camisetas ecológicas que mulheres – mas o porque disso é outra história e não entrou na roda, rs.

Gostei, fizeram perguntas consistentes e que renderam boas respostas para informar a população.

Bem, amanhã, dou outra entrevista, para o Jornal Pampulha.

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