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Ética e estética das fardas e o trabalho da Polícia Militar de Minas Gerais

23 de April de 2012
Uniforme B1 da PMMG.

Uniforme B1 da PMMG.

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http://modaetica.com.br/?p=4170

Colocar ou não a camisa para dentro da calça, faz toda a diferença. É uma forma do policial militar se aproximar da estética do cidadão ou da do militar. 

Fui falar sobre isso há uns dias atrás no I Colóquio Internacional de Psicossociologia do Trabalho, que contou com renomados pesquisadores franceses, como Dominique Lhuillier (fiz um mini-curso dela sobre Saúde e Trabalho), na Faculdade de Filosofia e Ciências Humanas da UFMG. Tinha muita gente, de várias universidades brasileiras e rendeu bons contatos, foi muito legal.

A seguir, o artigo apresentado, que é um resumo de pesquisas feitas em uma disciplina do mestrado (Engenharia de Produção UFMG). 

Um passarinho me contou que há grande possibilidade do novo fardamento B1 da PMMG, com lançamento em 2012, ter a gandola acinturada sobreposta à calça, semelhante a de um soldado brasileiro. Espero que não… que seja apenas tergiversação! 

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ÉTICA E ESTÉTICA DAS FARDAS E O TRABALHO DA POLÍCIA MILITAR DE MINAS GERAIS

Luciana dos Santos Duarte1, lucianjung@gmail.com

1Departamento de Engenharia de Produção, Escola de Engenharia, Universidade Federal de Minas Gerais, Av. Antônio Carlos, 6627 – Belo Horizonte – MG – CEP 31.270-901

Resumo

As fardas constituem uma ferramenta de trabalho, capazes de conduzir não somente os processos mentais (como percepção, atenção, cognição, etc.), mas também a moral do indivíduo e propõem, por meio da estética (no sentido de configuração formal do objeto), uma ética no trabalho.  Este trabalho busca analisar como a estética do uniforme da polícia militar, associada ao trabalho de policiamento, pode conduzir a moral do indivíduo para uma ética do policial trabalhador. A possibilidade do redesign (reformulação do design) das fardas, contemplando os fatores humanos (ex. adequação da modelagem), pode delimitar a cognição do indivíduo em seu trabalho que, por conseguinte, pode modificar a moral no trabalho e a ética do trabalho. O desejo manifestado por alguns policiais militares por vestir a gandola por cima da calça, semelhante ao exército, pode explicitar não só um desejo por conforto, mas uma vontade de maior poder e força, isto é, tornar-se mais militar que policial, distanciar-se do cidadão comum. O mínimo detalhe da configuração estética do fardamento, junto à maneira como o trabalho se dá com a ferramenta farda, é capaz de mudar a forma como o policial militar percebe a si mesmo, suas ações e seu campo de trabalho.

Palavras-chave: Polícia Militar de Minas Gerais, fardamento, ética, trabalho, design de uniformes

  1. Introdução

Haveria uma moral das fardas? Flügel (1930) propõe uma psicologia das roupas, Barthes (1967) investiga a semiótica na moda, Lipovesty (1987) analisa mais de cem anos de moda e, para não mencionar somente os cânones que dedicaram o pensamento à Moda, vale citar o jovem pensador norueguês Svendsen (2004), que propõe uma filosofia para a moda. Assim, considerando as fardas, uniformes militares, como um subsistema da Moda, as mesmas poderiam ser compreendidas quanto ao seu sentido e significado pelos autores citados.

Além da Moda, nos campos da Ergonomia Cognitiva e da Filosofia Moral, reconhece-se possível uma investigação sobre as fardas enquanto objetos de interface com a cognição humana, capazes de influenciar comportamentos por meio de seu uso, isto é, a estética de um produto implica em uma forma de uso. Logo, as fardas constituem uma ferramenta de trabalho, capazes de conduzir não somente os processos mentais (como percepção, atenção, cognição, etc.), mas também a moral do indivíduo e propõem, por meio da estética (no sentido de configuração formal do objeto), uma ética no trabalho.

  1. Justificativa

Dado a indiscutível relevância do trabalho da Polícia Militar de Minas Gerais (PMMG), este artigo justifica-se por investigar como são as relações das fardas com a compreensão do trabalho do policial militar e como poderiam se dar tais relações por meio de mudanças no projeto das fardas da Polícia Militar de Minas Gerais (PMMG).

  1. Objetivos

Este trabalho busca analisar como a estética do uniforme da polícia militar, associada ao trabalho de policiamento, pode conduzir a moral do indivíduo para uma ética do policial trabalhador.

Os objetivos específicos visam contextualizar a cultura e o trabalho da Polícia Militar de Minas Gerais, pois se trata de um grupo baseado em relações rígidas de poder, distinguindo as atuações do policial e do militar e discutindo sobre o ato e ação de fardar-se.

  1. Materiais e método

A metodologia baseia-se no levantamento do estado da arte, quanto à compreensão dos uniformes, em entrevistas com praças e oficiais da PMMG, realizadas de agosto a novembro de 2011 e na análise qualitativa das fardas.

  1. Resultados e discussão

            Ética, estética, moral e trabalho

As relações intrínsecas entre ética e estética remetem a educação grega nos tempos de Sócrates, com o conceito da kalokagathía[1], isto é, da “ideia de uma convergência do valor estético com os valores éticos (utilidade social e política) da comunidade” (ROSENFIELD, 2009), a qual inclusive sustenta a Paideia[2] clássica. Trata-se de uma educação que busca sempre associar a ética à “política da estética e das técnicas de produção dos (belos) objetos” (ROSENFIELD, 2009). Essa intrínseca relação entre ética e estética é explicitada a seguir:

o indivíduo que tem valor moral é suscetível de agir belamente, e, vice-versa, o indivíduo belo tem a possibilidade de atos moralmente bons. No entanto, acrescenta Sócrates, esse elo não é dado – estabelece-se com vistas a algo outro: a utilidade, ou seja, é referido a uma finalidade (ROSENFIELD, 2009, p.11).

Constata-se que a compreensão atual do elo ética / estética ainda hoje remete ao pensamento socrático. Para De Moraes (2009, p. 41),

a estética vem sendo considerada como um reflexo do comportamento do homem enquanto ser social (aqui entendido como grupo coletivo), das apreciações referentes às condutas e atitudes humanas. Isso é a ética, que acaba podendo influenciar a estética da cultura material.

Um objeto colocado sobre a pele, ostentado enquanto representação do eu – ou, no caso das fardas, como representação de uma identidade organizacional, um coletivo – não é um objeto qualquer. Pergunta-se: como pode a estética do uniforme militar conduzir a moral do indivíduo para a ética do policial trabalhador?

Contudo, antes de responder a tal pergunta, deve-se “distinguir que valores existem objetivamente no trabalho (ética no trabalho) de sua manipulação ideológica (moral do trabalho) (LIMA, 2002, p. 75)”. Os valores definidos pela PMMG, que fundamentam a ética no trabalho de policiamento, são: “a renúncia, sacrifício, abnegação e alto grau de dedicação ao dever (COTTA, 2006, p. 26)”. Quanto à moral do indivíduo, pode-se entendê-la como a inclinação pessoal para o bem ou mal (para citar apenas uma categoria genérica de orientação axiológica).

Sabendo-se que a farda é um instrumento de trabalho, esta pode conduzir a moral do indivíduo por meio da estética da mesma e do trabalho em si (FIG. 01), este definido como sendo:

por sua própria natureza, uma prática social, comportando dimensões fisiológicas (é uma atividade que se serve do corpo) e dimensões cognitivas (é uma atividade consciente), mas também dimensões sociais e éticas (é uma atividade que implica pessoalmente o trabalhador e é direcionada a outrem) (LIMA, 2002, p. 108).

 

Figura 01 – A estética da farda e o trabalho como vetores na explicitação da ética da PMMG

Ética do design

Flusser (2007) indaga sobre a responsabilidade moral do designer em seus projetos e questiona sobre a moralidade das coisas, se haveria “uma ética do design industrial”.

Retomando a bi implicância de ética e estética, e tendo por base que qualquer projeto de produto (design) tem por conseqüência uma estética (aparência) capaz de direcionar um comportamento de uso[3], pode-se elucidar que o design da farda, no sentido de projeto de produto, pode alterar o comportamento do indivíduo militar. Por conseguinte, alterações estéticas na farda poderiam modificar a percepção do conjunto de militares sobre a ideia de seu trabalho.

Dentre os vários elementos de projeto da farda (modelagem, tecido, costuras, cores, insígnias, etc.), um deles é elegido a fim de ampliar a discussão de forma concisa: a forma de vestir a camisa (gandola). Como parte da norma de vestuário da PMMG, a gandola é vestida para dentro da calça de cós reto com cinto – configuração estética similar a de um cidadão comum, com um vestuário casual, camisa reta para dentro da calça. Entretanto, em entrevistas com os policiais militares, evidenciou-se ser este um problema de usabilidade: ao fazerem movimentos como “sentar” e “levantar” (por ex., de uma viatura), a camisa afrouxa-se bastante nas costas, quase saindo da calça, tendo que ser arrumada para dentro imediatamente, pois há um rigor quanto à boa apresentação do policial. Foi comentado pelos policiais que o ideal mais prático seria a camisa ficar para fora da calça, sobreposta a esta e fixada por um cinto, a exemplo das fardas do exército brasileiro. Deste modo, pergunta-se: o que de fato implica para o policial militar vestir a gandola para dentro da calça – similar ao estilo casual de um cidadão comum – ou vesti-la para fora da calça, presa por um cinto, à maneira do exército?

            O policial e o militar

A dicotomia da atuação do militar e do policial dá pistas para uma possível resposta. Carvalho (2003, p. 213 apud COTTA, 2006, p.15 e 16) afirma sobre a lógica militar que “o soldado da polícia é treinado dentro do espírito militar e com métodos militares. Ele é preparado para combater e destruir inimigos e não para proteger cidadãos”.

O militar tem que ser agressivo e imediatista na ação junto ao inimigo, que praticamente nenhum direito possui, nem à vida; do contrário, vacilará nos momentos cruciais do combate e isso lhe será fatal. O policial tem que ser tolerante e ponderado com o cidadão, cuja integridade física e moral há de ser respeitada; senão, a ação policial irá degenerar em conflito, arbitrariedade e violência, com sérios danos para a ordem pública. O militar atua em conjunto e sob comando; o policial, disperso na rua, isolado ou em grupo muito pequeno. A maior soma de iniciativas e responsabilidades cabe, no primeiro caso, ao comandante; no segundo, ao próprio policial (PEREIRA, 1983, p. 14 apud COTTA, 2006, p. 15).

A “honrosa farda cáqui” (SANTOS, 1962, p. 11 apud COTTA, 2006, p.23) da PMMG agrega em sua configuração formal tanto aspectos militares quanto aspectos de um vestuário casual, digno de um “pacato cidadão”. Contudo, sua origem remonta ao exército francês pós Revolução Francesa, constatando-se que com o “triunfo do uniforme cáqui monocromático, a vestimenta militar tornou-se uma cifra para a ausência completa do desejo em se exibir (DAVID, 2003, p. 05).”

            O trabalho da polícia militar

A polícia moderna poderia ser caracterizada por possuir um corpo profissional (separado do exército e das instituições judiciárias) uniformizado, armado, equipado e com a responsabilidade de patrulhar as cidades, prevenindo e reprimindo os atos considerados anti-sociais (COTTA, 2006, p. 29).

Conforme Marx (2008, p. 202), “temos inicialmente de considerar o processo de trabalho à parte de qualquer estrutura social determinada”. Assim, ao procurar compreender a relação do fardamento e respectivo trabalho de policiamento militar, deve-se, a priori, isolar tal relação do conjunto de signos, responsabilidades, procedimentos, etc. da polícia militar. Somente após investigar como se dá o trabalho delimitado pelo fardamento e enfocando o indivíduo e sua cognição, expressividade, etc. com o objeto (também compreendido como uma ferramenta) que o veste, ou seja, somente após analisar o ato de um policial trabalhar fardado, é que parte-se para uma análise do contexto em que o mesmo se insere, o contexto da cultura da polícia militar.

            O policial fardado

Considerando os elementos do processo de trabalho apresentados por Marx[4], o fardamento caracteriza-se por ser um instrumental de trabalho. Logo, a farda é uma “coisa de que o trabalhador se apossa imediatamente” (MARX, 2008, p. 202), a qual mesmo não participando diretamente do processo de trabalho, este fica sem ela “total ou imparcialmente impossibilitado de caracterizar-se” (Idem, ibidem). Logo, é válido perguntar: o que a roupa (farda) prescreve sobre o trabalho a ser executado pelo policial militar?

Quando enfocando a relação entre praças e oficiais, o fardamento distingue classes de um mesmo grupo, uniformizando identidades.

Em Uniforms and Nonuniforms, Nathan Joseph comenta que os exércitos do século XIX mantiveram fortes divisões entre o vestuário do oficial e o das tropas sob seu comando. O corte do uniforme de um oficial lembrava a roupa de um cavalheiro e a do soldado regular, projetada para uso prático, tinha um caimento mais solto, como a blusa de um trabalhador (DAVID, 2003, p. 20).

Aprofundando a relação da farda enquanto instrumental de trabalho; tendo como certa a representação do eu pelo objeto (farda) ostentado sobre a pele nua, ou seja,“o modo como nos vestimos ou nos adornamos deve ser pensado como uma técnica ativa para a apresentação de nosso eu físico (SVENDSEN, 2010, p. 90)”; e lembrando que a estrutura organizacional da PMMG é baseada em valores como a abnegação[5], diz-se que:

O corpo individual torna-se um elemento que pode ser colocado, movido, articulado em outros. Sua coragem ou sua força não são mais as variáveis principais que o definem; mas sim o lugar que ocupa, o intervalo que cobre, a regularidade, a boa disciplina de acordo com a qual opera seus movimentos. O soldado é, acima de tudo, um fragmento do espaço móvel, antes de ser coragem ou honra (FOUCAULT, 1995, p. 164).

            “Foucault chama o processo de transformar os homens em soldados de produção de ‘corpos dóceis’” (DAVID, 2003, p. 23). Assim, a farda, associada à estrutura de poder, adestra o corpo para a ética do policial trabalhador. A farda não deixa de ser, portanto, uma forma de manipulação ideológica, de estabelecer uma moral no trabalho, capaz de condicionar os movimentos do corpo que a ostenta. David (2003, p. 05) vale-se de Flügel para caracterizar os chamados “homens do tipo cumpridores do dever”, caracterizados pela “dureza de sua roupa, sua tensão e severidade de traços, qualidades materiais que simbolizavam sua devoção ao trabalho e ao dever.”

Este é um tipo, no qual os interesses conectados às roupas vêm representar não somente – como no tipo melindroso – uma reação contra qualquer tipo de exibicionismo, mas uma tendência inibitória de um tipo muito mais amplo, dirigido contra todas as manifestações de “efeminação” ou “submissão” (FLÜGEL , 1930, p. 97 e 98).

            As finalidades da farda

Para Lukács (1989, p. 9), “o trabalho se torna o modelo de toda a práxis social”. Sabendo-se que “todo processo teleológico implica a colocação de uma finalidade” (Lukács, 1989, p. 10), e que a mesma se dá por uma consciência, pergunta-se: qual é a finalidade do fardamento para o policial militar?

A farda possui algumas finalidades, como:

  1. Distinguir o trabalhador, isto é, diferenciar o oficial do praça, estabelecendo qual “status de um homem” (DAVID, 2003, p. 24);
  2. Por meio da homogeneização do conjunto de indivíduos fardados, gerar uma “força visualmente impressionante” (idem), tendo que “o efeito visual dessa conformidade militar podia ser opressivo”(idem);
  3. Demonstrar que a polícia está pronta para combater, que a nação está alerta. Conforme Huart (1879, p. 96), “há um soldado que tem um bom uniforme; o exército francês está se reorganizando.”
  4. O efeito causado pelo bom aspecto da farda é também uma estratégia de marketing – a polícia poderia não estar efetivamente preparada para o combate, mas as fardas em bom estado passam a impressão de que está;
  5. As fardas também têm como finalidade configurar a identidade visual da polícia, fortalecendo a coesão dessa identidade;
  6. O excelente aspecto do uniforme (novo, passado, ajustado ao tipo físico, etc.) é uma forma de distinguir um praça, aumentando sua possibilidade de promoção, pois demonstra que o mesmo está mais preparado para o combate que os colegas;
  7. No contexto histórico, o uniforme deve simbolizar a tradição da força (na PMMG, isto é explícito com a insígnia de Tiradentes, localizada na camisa/gandola);
  8. Por se tratar de um objeto relacionado às mais novas tecnologias – afinal, as guerras estimularam o desenvolvimento tecnológico nos países – a farda também representa o futuro da força;
  9. Por fim, as fardas são também contextualizadas como roupa para desfilar, assim sendo ostentadas em um jogo de sedução do policial militar ver e ser visto pelos cidadãos.

Redesign das fardas

As finalidades do fardamento, associadas aos respectivos aspectos estéticos, conduzem a moral do indivíduo para a ética da Polícia Militar de Minas Gerais. Assim, a possibilidade do redesign (reformulação do design) das fardas, contemplando os fatores humanos (ex. adequação da modelagem), pode delimitar a cognição do indivíduo em seu trabalho que, por conseguinte, pode modificar a moral no trabalho e a ética do trabalho. O desejo manifestado por alguns policiais militares por vestir a gandola por cima da calça, semelhante ao exército, pode explicitar não só um desejo por conforto, mas uma vontade de maior poder e força, isto é, tornar-se mais militar que policial, distanciar-se do cidadão comum.

  1. Considerações finais

Vestir uma camisa para fora ou para dentro da calça pode ser uma escolha trivial para um homem comum no seu vestir diário. Todavia, conforme demonstrado neste trabalho, essa sutileza do vestir é definidora para o ethos da polícia militar – se mais militar e combativa ou se mais próxima e compreensiva com o cidadão. O posicionamento da camisa não é, portanto, algo fútil (para usar um adjetivo do senso comum para qualificar a Moda e as preocupações sobre como se vestir), que poderia ser definido por um capricho do estilista ou designer de moda. O mínimo detalhe da configuração estética do fardamento, junto à maneira como o trabalho se dá com a ferramenta farda, é capaz de mudar a forma como o policial militar percebe a si mesmo, suas ações e seu campo de trabalho. Como se trata de um conjunto de trabalhadores homogeneizados pelo fardamento, tal mudança de percepção tende a se dar quanto ao coletivo de policiais militares, responsáveis pela segurança dos cidadãos de Minas Gerais. Sabendo que o projeto das fardas compete a um designer, evidencia-se que este profissional tem um grande poder de responsabilidade pelo trabalho e pela segurança das pessoas – e que pode, sim e muito, delimitar a ética com materiais de desenho.

  1. Referências

BARTHES, R. Sistema da moda. São Paulo: Martins Fontes, 2009.

CIDREIRA, R. P. Os sentidos da moda: vestuário, comunicação e cultura. São Paulo: Annablume, 2005.

DAVID, A. M. Homens adornados: moldando o soldado francês à moda, 1852 – 1914. In: STEELE, V (org.). Fashion theory. Edição brasileira, vol. 2, n. 1. São Paulo: Editora Anhembi Morumbi, 2003.

DE MORAES, D. et al. Design e sustentabilidade. Barbacena, MG: EdUEMG, 2009.

FLÜGEL, J. C. A psicologia das roupas. São Paulo: Editora Mestre Jou, 1966 (primeira edição em inglês 1930, título original The psychology of clothes). Tradução de Antônio Ennes Cardoso.

FLUSSER, V. O mundo codificado: por uma filosofia do design e da comunicação. São Paulo: Cosac Naify, 2007.

FOUCAULT, M. Discipline and punish. New York: Vintage Books, 1995.

HUART, A. La nouvelle vie militaire. Paris: Librairie illustrée, 1879.

LIMA, F. P. A. Ética e Trabalho. In: Psicologia organizacional e do trabalho; teoria, pesquisa e temas correlatos. GOULART, Iris Barbosa (org). São Paulo: Casa do Psicólogo, 2002.

LIPOVETSKY, G. O império do efêmero: a moda e seu destino nas sociedades modernas. São Paulo: Companhia das Letras, 2009.

LUKÁCS, Georg. Trabalho e teleologia. In: Revista Novos Rumos, nº 13, 1989.

MARX, K. O capital. Livro 1 – O processo de produção do capital. Vol. 1. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2008.

ROSENFIELD, K. H. Estética. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Ed., 2009.

SVENDSEN, L. Moda: uma filosofia. Rio de Janeiro: Zahar, 2010.


[1]   Termo grego que compreende o belo e o bem.

[2]  Do grego paidos, criança, tem diversos significados, como: criação de meninos; cultura construída a partir da educação; herança de uma sociedade para outra.

[3] Além da própria configuração formal do objeto em si, objetos que acompanham este (ex., manuais de instrução), bem como a cultura de uso de um grupo (ex., uma forma de aprender a usar hashi, o talher japonês, é observando alguém usando-o), são maneiras de estabelecer um comportamento de uso (ex., as fardas, objetos que conduzem uma maneira de trabalhar, de se portar em sociedade), isto é, a estética do objeto é capaz de delimitar uma ética para o sujeito que dele se apropria para alguma finalidade.

[4] “Os elementos componentes do processo de trabalho são: 1) a atividade adequada a um fim, isto é, o próprio trabalho; 2) a matéria-prima a que se aplica o trabalho, o objeto de trabalho; 3) os meios de trabalho, o instrumental de trabalho.” (MARX, 2008, p. 202)

[5] O mesmo que renúncia da própria vontade; desapego do interesse próprio; generosidade com sacrifício; altruísmo, isenção.

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