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Androginia reclusa

5 de May de 2012
Andrógino. Pessoa que se sente com uma combinação de características culturais quer masculinas (andro) quer femininas (gyne). Isto quer dizer que uma pessoa andrógina identifica-se e define-se como tendo níveis variáveis de sentimentos e traços comportamentais que são quer masculinos quer femininos.

Andrógino. Pessoa que se sente com uma combinação de características culturais quer masculinas (andro) quer femininas (gyne). Isto quer dizer que uma pessoa andrógina identifica-se e define-se como tendo níveis variáveis de sentimentos e traços comportamentais que são quer masculinos quer femininos.

LEIA ESTE POST NO NOVO MODA ÉTICA:

http://modaetica.com.br/?p=4383

Até eu vi as fotos nuas, que vazaram hoje na internet, da Carolina Dieckman (mãe, foi a sua filha Mônica que passou o link, que, por acaso é este).

Fiquei relembrando algumas conversas com amigos de longe (o Atilio, futuro doutor em Letras, nos EUA), e deu um saudosismo e uma saudade (minimizada pelos e-mails recentes, felizmente). Um dos assuntos, certa vez, foi sobre o corpo da mulher – muito mais interessante, por ser Belo, que o do homem. Na época (eu tinha 17 anos), lia mais, escrevia mais, e cheguei a ganhar ma menção honrosa do respeitoso Instituto Camões, em Portugal, pelo texto a seguir. Era um concurso de literatura para jovens de língua portuguesa.

Eu acho isso tudo muito oportuno, especialmente para a Moda, em que convivemos com muitos gays – e as pessoas insistem em preconceitos. Fora algumas mulheres como eu, que ainda não encontraram seu espaço na sociedade, como disse um amigo (e ex-namorado, o Caio) que chegou a trabalhar num órgão da ONU pelos direitos das mulheres. Esse tipo de mulher, muitas vezes é o homem da relação, o que é bem frustrante, especialmente quando se está com um cara acomodado em seu machismo. Estamos vivendo um momento histórico de mudanças de responsabilidades dos gêneros. E é natural que haja tanta insegurança.

O gênero hoje, é uma escolha social, não uma condição biológica.

E sobre o corpo da mulher, a minha escolha de gênero (que, apesar de tudo, é hétero, constantemente foi hétero, rs) rendeu uma prosa razoável.

Gênero: escolha social.

Gênero: escolha social.

Androginia reclusa

                A minha mulher me fragiliza. Se eu a tocar, um vaso de porcelana se estilhaça no chão, cujos cacos não poderiam ser colados. Um vaso remendado não é vaso nem caco. Portanto quebrado, deve existir como fragmentos isolados.

Começo pelos lábios entreabertos, entre o carnudo e o fino, moldura de um resplandecente sorriso. O nariz é pitagórico, perfeito, o qual junto ao peito arfando, indica a respiração ofegante fruto do êxtase virginal. As maçãs do rosto, matizadas num tom indefinido de rosa e rubro, mais o delicado queixo, desenham com fineza o semblante anguloso.

A testa é ampla, de linhas recônditas, traços de preocupações passadas. As orelhas dispensam brincos e os furos já não são visíveis. Os cabelos ondulados, se secados ao vento, formam cachos castanho-claros de vários comprimentos. Mas o que me retém são os olhos, guardiões de um misterioso mel que, se de soslaio, matam-me de doçura.

O longo pescoço exala a mistura embriagante da flor de alcaçuz, hera, anis e íris. Os ombros espadaúdos encontram as costas em uma postura austera. O colo é gentil e amável, unindo-se à côncava barriga por seios juvenis de auréolas sublimes.

O umbigo possui uma ligação vital com a angélica flor. De profundidades diferentes, circundados por relvas veludosas, são o princípio e o precipício humanos. O clitóris está em Vênus ocultista, cuja descrição cabe à Astrologia.

As nádegas e as coxas se enrijecem em curvas sinuosas. Braços e pernas são delgados e despontam ossos longilíneos, mas que se dobram ao menor toque. As palmas das mãos são as primeiras a manifestar o livre-arbítrio do tato, seguidas pela sensibilidade de um tornozelo e calcanhar de Aquiles. Finalmente, mãos e pés auspiciosamente belos, talvez por causa dos carinhosos dedos, cujas unhas despertam gamas de sensações.

Venusta e vestal, esta mulher minha me assombra, pois insisto em amar os homens.

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