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A estratégia de práticas socioambientais em empresas de moda

27 de September de 2012
Outra questão inspirada na dúvida shakespeareana seria: Dá ou não dá dinheiro?

Outra questão inspirada na dúvida shakespeareana seria: Dá ou não dá dinheiro?

LEIA ESTE POST NO NOVO MODA ÉTICA:

http://modaetica.com.br/?p=5334

A seguir, algumas respostas que dei referente a uma entrevista de dissertação de mestrado em andamento.

Práticas socioambientais adotadas pelas empresas mineiras de moda atualmente

Resposta – Luciana Duarte: São três as principais práticas: educação ambiental (ex. destino de lixo em coletores específicos); substituição da matéria-prima convencional por outra ecologicamente correta / ecofriendly (ex. sai o algodão convencional, entra o algodão orgânico); parcerias com ONGs, OSCIPs e comunidades carentes. São iniciativas ainda tímidas e muitas vezes incipientes, pois não questionam a dinâmica de consumo na moda; são descontinuadas conforme muda coleção (no caso das parcerias com comunidades); etc.

Razão de uma empresa investir em prática socioambiental

Resposta – Luciana Duarte: Competitividade no mercado. Um produto tem vários valores e o ambiental é um deles. Logo, é uma forma de somar valor ao produto e posicionar-se competitivamente frente aos concorrentes.

Rotação, ciclos, sistemas, retornos...

Rotação, ciclos, sistemas, retornos…

Relação de práticas sociais adotadas e processo de criação da empresa

Resposta – Luciana Duarte: Não diria que alteram o processo criativo, que em si deve ser uma atividade dinâmica e receptiva a lidar com muitas variáveis. Considerar práticas socioambientais é um desafio e uma oportunidade de desenvolver mais habilidades cognitivas. Como diria Ezio Manzini, “o designer é um otimista”. Se for para ficar aborrecido porque acredita que considerar práticas sustentáveis nas tomadas de decisão do projeto vai limitar seu processo criativo, é melhor trocar de designer.

Processos internos (além do processo de criação) que podem ser alterados com a adoção de práticas socioambientais

Resposta – Luciana Duarte: Os processos produtivos (devem visar redução do impacto ambiental) e a comercialização dos produtos (ex. pensar no retorno deles).

Nota: falei mais sobre a produção de moda em entrevista para projeto de graduação em Engenharia de Produção (UFMG), vide post Entrevista sobre Moda, Sustentabilidade e Engenharia de Produção + Louis Vuitton s/s 2012

O fácil e o difícil ao se adotar práticas socioambientais em uma empresa de moda

Resposta – Luciana Duarte: O mais fácil é que a maioria das empresas faz: comunicar sustentabilidade. Basta um veículo de comunicação (site, material institucional, publicidade impressa), palavras bonitas, letras nas cores verdes, imagens que remetem à natureza. Isso, qualquer um pode fazer. Difícil é implantar um sistema de gerenciamento ambiental com vistas a obter certificação ISO 14001, pois é oneroso e a maioria das empresas brasileiras (87% são pequenas e médias) não dispõe de capital para isso, nem tem cultura empresarial para tanto.

Nota: falei mais sobre o rótulo verde na última entrevista que dei para o caderno Estilo do Jornal da Pampulha, vide post Entrevista minha para o Jornal da Pampulha + dicas para verificar se um produto de moda é sustentável

Muito cuidado!

Muito cuidado!

Colaboração e preocupação de funcionários da empresa com a adoção de práticas socioambientais

Resposta – Luciana Duarte: Depende da cultura da empresa. Há empresas cujos funcionários são – perdoe-me a sinceridade da expressão – trogloditas; é difícil fazer com que esse tipo de funcionário jogue um copo de plástico na lixeira “x” e os papeis na “y”. Há empresas – como uma de grande porte da aviação que eu visitei recentemente – que parte dos funcionários aproveita os retalhos de estofamento de poltronas de avião em sacolas ditas “ecobags”, que vão para um bazar organizado por eles. Mas, para todos os efeitos, os funcionários podem colaborar estando dispostos a mudar seus hábitos. Um homem quando está disposto a mudar e tem educação em respeitar o local de trabalho dele, as pessoas ao redor, esse funcionário está apto a realizar qualquer prática de educação ambiental; ele cria oportunidades de fazer o bem, não fica engessado esperando uma diretriz verticalizada lhe impor o que fazer, lhe indicar as lixeiras; ele cria novos produtos, ele dá idéias de novas possibilidades.

Reação dos clientes da empresa com a adoção de práticas socioambientais pela mesma

Resposta – Luciana Duarte: Grosso modo, são dois tipos de consumidores. Sugiro ler “A felicidade paradoxal” de Lipovetsky. O que eu percebo, infelizmente, é que o cliente (estamos falando de lojistas que vem comprar em Belo Horizonte) até acha legal/interessante, mas ele quer é roupa barata, bonita e comercial no prazo dele. As práticas socioambientais somente são interessantes como argumento de venda em uma roupa que “só” pelo estilo e preço já é vendável por si só. Não nos enganemos: é a obtenção de lucro que norteia as relações comerciais.

O possível aumento de vendas após a adoção de práticas socioambientais

Resposta – Luciana Duarte: Não posso afirmar sobre isso, pois não detenho dados precisos. Precisaríamos delimitar quais práticas socioambientais (sobre o que estamos falando?), o perfil de uma empresa (a grande é uma realidade, a pequena e a média consistem em outra realidade), bem como outros fatores que tangenciam as vendas em moda (ex. o histórico das coleções, pois tem coleção que vendeu bem por “x” motivos e outra não por “y” motivos). Tentando responder essa pergunta, acho pouco provável que práticas socioambientais isoladamente sejam responsáveis por um aumento significativo em vendas. Agora, elas inseridas em um contexto de mudança de estratégias socioambientais da empresa, aí sim, podemos inferir que possivelmente aumente de forma considerável as vendas.

O possível aumento da clientela  após a adoção de práticas socioambientais

Resposta – Luciana Duarte: Em tese sim, ao menos a teoria diz que sim. O consumidor de moda não é muito fiel (dado que ele tem muitas ofertas, muitas opções de consumo consoante seu gosto e bolso). O consumidor de produtos ecológicos, por outro lado, é bastante fiel a uma marca – porém, esse consumidor não é muito significativo (há uma pesquisa inglesa que aponta serem somente 5% as pessoas que vão consumir algo “verde” estritamente, custe o que for, seja como for).

Não existe gerência específica de meio ambiente em pequenas e médias empresas de moda. Existe uma ou duas pessoas de outra gerência que (tentam) implantam(r) práticas socioambientais.

Não existe gerência específica de meio ambiente em pequenas e médias empresas de moda. Existe uma ou duas pessoas de outra gerência que (tentam) implantam(r) práticas socioambientais. Ou essa questão é terceirizada para o comunicacional da empresa.

Percepção da relação entre um novo consumidor e a adoção de práticas socioambientais por empresas

Resposta – Luciana Duarte: Sim, essa relação é uma via de mão-dupla, ou melhor, são fatores bi implicantes pelo vetor da educação de consumo. Nota: eu não diria que se trata de um novo perfil de consumidor; esse perfil é velho, desde os anos 1970; com mais empresas ofertando produtos sustentáveis, o consumidor recebe mais informações sobre os produtos (é educado para perceber o valor ambiental de um produto e poder pagar mais por isso), logo, é possível que esse consumidor tenha seu perfil consolidado (e possa influenciar outros e por aí vai).

Se as empresas de moda utilizam a adoção de práticas socioambientais como valor agregado à marca

Resposta – Luciana Duarte: Sim, sem dúvida. As ações das empresas são em prol de seu melhor posicionamento, de somar valor à marca, à empresa, aos produtos da empresa.

Percepção se as empresas de moda, após a adoção de práticas socioambientais, tiveram mais mídias espontâneas

Resposta – Luciana Duarte: Sim, pois se trata de mais “história para contar” que os jornalistas dispõem. Mas o que observo é que são pautas rasas, baseadas em descrição dessas práticas socioambientais (ex. os materiais ecológicos, o apoio à comunidade da favela ou da proteção dos animais), sem de fato questionar a legitimidade e continuidade das mesmas. Mas afinal, tanto o jornalismo para as massas quanto a Moda sobrevivem de novidades sobrepostas, de histórias contadas em palavras e/ou em objetos – histórias que serão esquecidas no dia seguinte ou na coleção seguinte.

Avante ao lucro!

Avante ao lucro!

Maior ganho de uma empresa de moda com o investimento em práticas socioambientais

Resposta – Luciana Duarte: Lucro. A razão de existir de uma empresa é obter lucro, não nos enganemos. Nenhuma empresa – na sã consciência de sua Diretoria – agirá pelo prejuízo.

Nota: falei como se obtém o tão almejado lucro, por meio da sustentabilidade e do design, na palestra que dei para os empresários juniores no Junior Enterprise World Conference 2012, vide post Entrevista para o JEWC 2012

Palestra internacional sobre Design, Sustentabilidade e Estratégia - JEWC 2012.

Palestra internacional sobre Design, Sustentabilidade e Estratégia – JEWC 2012.

Se as empresas de moda pretendem continuar investindo em práticas socioambientais

Resposta – Luciana Duarte: Parcialmente. As grandes empresas sim, indiscutivelmente, pela questão do posicionamento estratégico, pela redução de consumo de água, energia e matéria-prima na produção, etc., pelos investidores que valorizam sim esse amadurecimento empresarial. Já as pequenas e médias, as quais no Brasil somam quase 90% do montante, só pretendem se isso implicar em retorno financeiro rápido.

Novos projetos de moda com adoção de práticas socioambientais

Resposta – Luciana Duarte: Depende. O que é o novo na moda? Projetos do atual segundo semestre de 2012? Sugestão: pesquisar os estilistas / as marcas que se apresentam no Esthetica (em Londres) e no Ethical Fashion Show (em Paris). Uma referência de moda ética internacional: Patagonia. Uma referência de empresa nacional que eventualmente apresenta coleções de cunho socioambiental: Osklen (e aí tem que pesquisar com o Instituto E quais projetos estão se dedicando). Uma coisa que eu tenho observado, pelos e-mails que recebo em função do blog, é que tem cada vez mais jovens desenvolvendo projetos de moda ética, baseados essencialmente no e-commerce (as vendas são principalmente pela internet).

Código de barras ecológico

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Para mais informações precisas, ofereço serviços de consultoria de forma remunerada.

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